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domingo, 26 de janeiro de 2020

Os remédios que podem mudar quem você é

por Zaria Gorvett
26012020 - O "Paciente Cinco" tinha quase 50 anos quando uma consulta médica mudou sua vida.

Ele tinha diabetes e se inscreveu em um estudo para ver se tomar estatina — um tipo de medicamento para baixar o colesterol — poderia ajudar. Até aí, tudo bem.

Mas logo depois que ele começou o tratamento, sua esposa começou a notar uma transformação sinistra. Antes um homem razoável, ele se tornou explosivamente nervoso e desenvolveu uma tendência a sentir muita raiva dirigindo.

Por medo do que poderia acontecer, o Paciente Cinco parou de dirigir. Mesmo como passageiro, suas explosões muitas vezes obrigavam sua esposa a interromper suas viagens e voltar para casa. Depois, ela o deixava assistindo TV para se acalmar. A mulher passou a ficar cada vez mais preocupada com sua própria segurança.

Então, um dia, o Paciente Cinco teve uma epifania.
e·pi·fa·ni·a
(grego epifáneia, -as, aparição, manifestação)
substantivo feminino
1. [Religião]  Manifestação de Jesus aos gentios, .notadamente aos Reis Magos.
2. [Religião]  Festa religiosa cristã que celebra essa manifestação. = DIA DE REIS
3. Qualquer representação artística dessa manifestação.
4. [Religião]  Aparecimento ou manifestação divina.
5. Apreensão, geralmente inesperada, do significado de algo.

"epifania", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/epifania [consultado em 26-01-2020].

"Ele pensou: 'Parece que esses problemas começaram quando eu comecei a participar desse estudo'", diz Beatrice Golomb, que lidera um grupo de pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego.

Alarmado, o casal voltou-se para os organizadores do estudo. "Eles foram muito hostis. Disseram que não tinha nada a ver, que ele precisava continuar tomando o medicamento e que deveria permanecer no estudo", diz Golomb.

Ironicamente, a essa altura, o paciente estava em um estado tão impertinente que ignorou categoricamente os conselhos dos médicos. "Ele os xingou, saiu do escritório e parou de tomar o remédio imediatamente", afirma ela. Duas semanas depois, voltou ao normal.

Outros não tiveram tanta sorte. Ao longo dos anos, Golomb coletou relatos de pacientes nos Estados Unidos — histórias de casamentos desfeitos, carreiras destruídas e um número surpreendente de homens que chegaram perto de assassinar suas esposas. Em quase todos os casos, os sintomas começaram com a estatina, e logo voltaram ao normal quando os pacientes pararam de tomar o remédio; um deles repetiu esse ciclo cinco vezes antes de perceber o que estava acontecendo.

Segundo Golomb, isso é típico — em sua experiência, a maioria dos pacientes tem dificuldade para reconhecer suas próprias mudanças comportamentais, e mais ainda para conectá-las aos seus medicamentos. Em alguns casos, a percepção chega tarde demais: o pesquisador foi contatado pelas famílias de várias pessoas, incluindo um cientista de renome internacional e um ex-editor de uma publicação legal, que tiraram a própria vida.
Todos conhecemos as propriedades alucinógenas das drogas psicodélicas — mas os medicamentos comuns podem ser igualmente potentes.

Do paracetamol a anti-histamínicos, estatinas, medicamentos para asma e antidepressivos, existem evidências de que eles podem nos tornar impulsivos, irritados ou inquietos, diminuir nossa empatia por estranhos e até manipular aspectos fundamentais de nossas personalidades (por exemplo, o quão neuróticos somos).

Na maioria das pessoas, essas mudanças são extremamente sutis. Mas, em algumas, podem ser dramáticas.

Em 2011, um homem francês processou a empresa farmacêutica GlaxoSmithKline, alegando que o medicamento que estava tomando para a doença de Parkinson havia feito ele se viciar em jogo e em sexo gay e era responsável por comportamentos de risco que o levaram a ser estuprado.

Em 2015, um homem que praticava pedofilia na internet usou o argumento de que o medicamento anti-obesidade Duromine o fez fazer isso — ele disse que reduziu sua capacidade de controlar seus impulsos. De vez em quando, os assassinos tentam culpar os sedativos ou antidepressivos por seus crimes.

Se essas afirmações são verdadeiras, as implicações são profundas. A lista de possíveis culpados inclui algumas das drogas mais consumidas no planeta, o que significa que, mesmo que os efeitos sejam pequenos em nível individual, eles podem estar moldando a personalidade de milhões de pessoas.

A pesquisa sobre esses efeitos não poderia estar em um momento melhor. O mundo está passando por uma crise de excesso de medicação, com os EUA comprando 49.000 toneladas de paracetamol por ano — o equivalente a cerca de 298 comprimidos de paracetamol por pessoa — e o americano médio consumindo US$ 1.200 (R$ 5.000) em medicamentos prescritos no mesmo período.

E à medida que a população global envelhece, nossa sede de drogas está prestes a ficar ainda mais fora de controle; no Reino Unido, uma em cada 10 pessoas com mais de 65 anos já toma oito medicamentos por semana.

Como todos esses medicamentos afetam nosso cérebro? E deve haver avisos nas embalagens?

Golomb suspeitou que havia uma conexão entre estatinas e mudanças de personalidade quase duas décadas atrás, depois de uma série de descobertas misteriosas, como a de que pessoas com níveis mais baixos de colesterol têm mais chances de ter mortes violentas. Conversando com um especialista em colesterol sobre o possível vínculo, ele disse que era absurdo. "E eu disse: 'Como temos certeza disso?'", diz ela.

Cheia de determinação, Golomb vasculhou a literatura científica e médica em busca de pistas. "Havia mais evidências do que eu imaginava", diz. Ela descobriu, por exemplo, que, se você colocar primatas em uma dieta baixa em colesterol, eles se tornam mais agressivos.

Havia até um mecanismo potencial: diminuir o colesterol dos animais parecia afetar seus níveis de serotonina, um importante produto químico cerebral que, acredita-se, está envolvido na regulação do humor e do comportamento social dos animais. Até as moscas começam a brigar se você mexer com seus níveis de serotonina, mas isso também tem efeitos desagradáveis ​​nas pessoas — estudos associaram uma mudança nos níveis de serotonina a violência, impulsividade, suicídio e assassinato.

Se as estatinas estavam afetando o cérebro das pessoas, isso provavelmente seria uma consequência direta de sua capacidade de reduzir o colesterol.

Desde então, surgiram evidências mais diretas. Vários estudos sugeriram uma ligação potencial entre irritabilidade e estatinas, incluindo um estudo randomizado controlado — o padrão-ouro da pesquisa científica — liderado por Golomb, envolvendo mais de 1.000 pessoas. Ela descobriu que a droga aumentou a agressividade em mulheres na pós-menopausa, embora, estranhamente, não em homens.

Em 2018, um estudo descobriu o mesmo efeito em peixes. Dar estatinas à tilápia-do-nilo as tornou mais confrontadoras e alterou os níveis de serotonina em seus cérebros. Isso sugere que o mecanismo que liga o colesterol à violência já existe há milhões de anos.

Golomb continua convencida de que o colesterol mais baixo e, por extensão, as estatinas, podem causar mudanças comportamentais em homens e mulheres, embora a força do efeito varie drasticamente de pessoa para pessoa.

"Existem conjuntos de evidência convergindo", diz, citando um estudo realizado na Suécia, que envolveu a comparação de um banco de dados dos níveis de colesterol de 250.000 pessoas com registros de crimes locais. "Mesmo eliminando fatores que causam confusão, o fato ainda era que pessoas com colesterol mais baixo tinham uma probabilidade significativamente maior de serem presas por crimes violentos."

As moscas se tornam mais agressivas quando seus níveis de serotonina variam, mostrou a pesquisa
Mas a descoberta mais perturbadora de Golomb não é tanto o impacto que as drogas comuns podem ter sobre quem somos — é a falta de interesse em descobrir esse impacto.

"Há muito mais ênfase nas coisas que os médicos podem medir facilmente", afirma, explicando que, por muito tempo, as pesquisas sobre os efeitos colaterais das estatinas foram todas focadas nos músculos e no fígado, porque qualquer problema nesses órgãos pode ser detectado usando exames de sangue padrão.

Isso é algo que Dominik Mischkowski, um pesquisador da dor na Universidade de Ohio, também notou. "Existe uma lacuna notável na pesquisa, na verdade, quando se trata dos efeitos dos medicamentos na personalidade e no comportamento", diz. "Sabemos muito sobre os efeitos fisiológicos desses medicamentos. Mas não entendemos como eles influenciam o comportamento humano."

A pesquisa de Mischkowski descobriu um efeito colateral surpreendente do paracetamol. Há muito tempo, os cientistas sabem que a droga reduz a dor física ao diminuir a atividade em certas áreas do cérebro, como o córtex insular, que desempenha um papel importante em nossas emoções. Essas áreas também estão envolvidas em nossa experiência de dor social — e, curiosamente, o paracetamol pode nos fazer sentir melhor após uma rejeição.

E pesquisas recentes revelaram que esse pedaço do cérebro está mais lotado do que se pensava, porque os centros de dor do cérebro também compartilham espaço com a empatia.

Por exemplo, imagens de ressonância magnética mostraram que as mesmas áreas do cérebro se tornam ativas quando sentimos "empatia positiva" — prazer em favor das outras pessoas — e quando sentimos dor.

Diante desses fatos, Mischkowski se perguntou se os analgésicos poderiam dificultar a experiência da empatia. No início deste ano, junto com colegas da Universidade de Ohio e da Universidade Estadual de Ohio, ele recrutou alguns estudantes e os dividiu em dois grupos. Um recebeu uma dose padrão de 1.000 mg de paracetamol, enquanto o outro recebeu um placebo. Depois, pediu que eles lessem cenários sobre experiências inspiradoras que aconteceram com outras pessoas, como a boa sorte de "Alex", que finalmente teve coragem de convidar uma garota para um encontro (ela disse que sim).

Os resultados revelaram que o paracetamol reduz significativamente nossa capacidade de sentir empatia positiva — um resultado com implicações em como a droga está moldando as relações sociais de milhões de pessoas todos os dias. Embora o experimento não tenha olhado para a empatia negativa — onde sentimos e nos identificamos com a dor de outras pessoas — Mischkowski suspeita que ela também seria mais difícil de sentir depois de tomar o medicamento.

"Eu não sou mais um iniciante como pesquisador e, para ser honesto, essa linha de pesquisa é realmente a mais preocupante que já conduzi", diz. "Especialmente porque estou ciente do número de pessoas envolvidas. Realmente não entendemos os efeitos desses medicamentos em um contexto mais amplo."

A empatia não determina apenas se você é uma pessoa "legal" ou se chora enquanto assiste a filmes tristes. A emoção traz muitos benefícios práticos, incluindo relacionamentos românticos mais estáveis, filhos mais bem ajustados e carreiras mais bem-sucedidas — alguns cientistas até sugeriram que ela é responsável pelo triunfo de nossa espécie. De fato, diminuir casualmente a capacidade de empatia de uma pessoa não é uma questão trivial.

Tecnicamente, o paracetamol não está mudando nossa personalidade, porque os efeitos duram apenas algumas horas e poucos de nós o tomam continuamente. Mas Mischkowski enfatiza que precisamos ser informados sobre as maneiras como isso nos afeta, para que possamos usar nosso bom senso. "Assim como devemos estar cientes de que você não deve dirigir se estiver sob a influência de álcool, você não devia tomar paracetamol e se colocar em uma situação que exige que você seja emocionalmente sensível — como ter uma conversa séria com um parceiro ou colega de trabalho."

Uma das razões pelas quais os medicamentos podem ter essa influência psicológica é que o corpo não é apenas um saco de órgãos separados, inundado de produtos químicos com funções bem definidas. Ele é uma rede com muitos processos diferentes e conectados.

Por exemplo, os cientistas sabem há algum tempo que os medicamentos usados para tratar a asma estão, às vezes, associados a alterações comportamentais, como aumento da hiperatividade e desenvolvimento de sintomas de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Mais recentemente, uma pesquisa descobriu uma conexão misteriosa entre os dois distúrbios; ter um aumenta o risco de ter o outro em 45-53%. Ninguém sabe o porquê, mas uma ideia é que os medicamentos para asma causam sintomas de TDAH, alterando os níveis de serotonina ou substâncias químicas inflamatórias, que, acredita-se, estão envolvidas no desenvolvimento de ambas as doenças.

Às vezes, esses links são mais óbvios. Em 2009, uma equipe de psicólogos da Universidade Northwestern, em Illinois, decidiu verificar se os antidepressivos poderiam estar afetando nossas personalidades. Em particular, a equipe estava interessada em neuroticismo. Esse traço de personalidade é sintetizado por sentimentos de ansiedade, como medo, ciúme, inveja e culpa.

Para o estudo, a equipe recrutou adultos com depressão moderada a grave. Eles deram a um terço dos participantes do estudo o antidepressivo paroxetina (um tipo de inibidor seletivo da recaptação de serotonina), outro terço recebeu um placebo e o terceiro grupo, terapia. Eles então verificaram como o humor e a personalidade deles mudaram do início ao fim de um tratamento de 16 semanas.

"Descobrimos que grandes mudanças no neuroticismo foram provocadas pelo medicamento e não muito pelo placebo [ou pela terapia]", diz Robert DeRubeis, envolvido no estudo. "Foi bastante impressionante."

A grande surpresa foi que, embora os antidepressivos fizessem os participantes se sentirem menos deprimidos, a redução no neuroticismo era muito mais poderosa — e sua influência no neuroticismo era independente de seu impacto na depressão. Os pacientes que tomavam antidepressivos também começaram a pontuar mais em extroversão.

É importante observar que foi um estudo relativamente pequeno e ninguém tentou repetir os resultados ainda. Portanto, eles podem não ser totalmente confiáveis. Mas a ideia de que os antidepressivos estão afetando diretamente o neuroticismo é intrigante. Uma hipótese é que a característica esteja ligada ao nível de serotonina no cérebro, que é alterado pelo inibidor.

Embora se tornar menos neurótico possa parecer um efeito colateral atraente, nem sempre é boa notícia. Isso porque esse aspecto de nossa personalidade é uma espécie de faca de dois gumes; sim, foi associado a todos os tipos de resultados ruins, mas também se acredita que o excesso de pensamento ansioso possa ser útil. Por exemplo, indivíduos neuróticos tendem a ser mais avessos ao risco e, em certas situações, se preocupar pode melhorar o desempenho de uma pessoa.

"[O psiquiatra americano] Peter Kramer nos alertou de que, quando algumas pessoas tomam antidepressivos, o que pode acontecer é que elas começam a não se importar com as coisas com as quais se importavam", diz DeRubeis. Se os resultados persistirem, os pacientes devem ser avisados ​​sobre como o tratamento pode alterá-los?

"Se eu estivesse aconselhando um amigo, certamente gostaria que ele estivesse atento a esses tipos de efeitos indesejáveis", diz DeRubeis.

Nesse ponto, vale ressaltar que ninguém está argumentando que as pessoas devem parar de tomar seus medicamentos. Apesar de seus efeitos sutis no cérebro, os antidepressivos têm demonstrado ajudar a prevenir suicídios, os medicamentos para baixar o colesterol salvam dezenas de milhares de vidas todos os anos e o paracetamol está na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), devido à sua capacidade de aliviar a dor. Mas é importante que as pessoas sejam informadas sobre possíveis efeitos colaterais psicológicos.

O assunto assume uma urgência quando você considera que algumas mudanças de personalidade podem ser dramáticas. Há evidências sólidas de que o medicamento L-dopa, usado no tratamento da doença de Parkinson, aumenta o risco de distúrbios de controle de impulso.

Consequentemente, a droga pode ter consequências drásticas, pois alguns pacientes começam a correr mais riscos, tornando-se apostadores patológicos, compradores excessivos ou viciados em sexo. Em 2009, um medicamento com propriedades semelhantes chegou às manchetes, depois que um homem com Parkinson cometeu uma fraude em multas no valor de 45 mil libras (R$ 209 mil). Ele culpou a medicação, alegando que havia mudado completamente sua personalidade.

A associação com comportamentos impulsivos faz sentido, porque a L-dopa está essencialmente fornecendo ao cérebro uma dose extra de dopamina — na doença de Parkinson, a parte do cérebro que a produz é progressivamente destruída —, e o hormônio está envolvido em nos fornecer sentimentos de prazer e recompensa.

Os especialistas concordam que a L-dopa é o tratamento mais eficaz para muitos dos sintomas da doença de Parkinson e é prescrita para milhares de pessoas nos EUA todos os anos. Isso ocorre apesar de uma longa lista de possíveis efeitos colaterais que acompanham o medicamento, entre eles, e isso é explícito na bula, dificuldade de controlar impulsos em coisas como jogos de azar ou sexo. (*)

DeRubeis, Golomb e Mischkowski são da opinião de que os medicamentos que estão estudando continuarão sendo usados, independentemente de seus possíveis efeitos colaterais psicológicos.

"Nós somos seres humanos, você sabe", diz Mischkowski. "Tomamos muitas coisas que nem sempre são boas. Sempre uso o exemplo do álcool, porque também é um analgésico, como o paracetamol. Tomamos porque sentimos que isso traz benefícios para nós, e tudo bem, desde que você tome nas circunstâncias certas e não consuma muito."

Mas, para minimizar quaisquer efeitos indesejáveis ​​e tirar o máximo proveito das quantidades impressionantes de medicamentos que todos tomamos todos os dias, Mischkowski reitera que precisamos saber mais. Porque, no momento, ele diz, é em grande parte um mistério como eles estão afetando o comportamento dos indivíduos — e até da sociedade.

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(*) Veja se a bula do seu remédio faz estes alertas!

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Alucinações Visuais na Demência e na Doença de Parkinson: Avaliação do Paciente, Experiências do Cuidador

July 19, 2018 - Pesquisadores realizaram entrevistas em profundidade com 10 indivíduos com demência e 11 indivíduos com doença de Parkinson, todos os quais experimentaram alucinações visuais.

As alucinações visuais são mediadas pela capacidade cognitiva e pelo nível de percepção, de acordo com os resultados do estudo publicados no International Journal of Geriatric Psychiatry.

Entrevistas também foram realizadas com os cuidadores informais dos participantes com demência (n = 11) e doença de Parkinson (n = 9). Uma “abordagem temática indutiva” foi utilizada para analisar e qualificar os elementos da entrevista.

No estudo, foram identificados 3 temas principais: (1) “percepção e angústia”, (2) “abordagem do cuidador: desafiador [vs] reafirmação” e (3) “normalidade e estigma”. Nas entrevistas, “insight” foi identificado como uma medida de proteção; Se os participantes reconhecessem suas alucinações visuais como um elemento de seu distúrbio, eles teriam menos probabilidade de se sentirem ameaçados ou com medo. A abordagem do cuidador às alucinações visuais também foi identificada como uma influência significativa; alguns questionavam a existência de alucinações visuais, enquanto indivíduos que cuidavam de indivíduos mais prejudicados frequentemente “conspiravam” com as alucinações visuais a fim de tranqüilizar o paciente. Os entrevistados também destacaram o estigma associado às alucinações, e os pacientes que sentiam que sua situação era “anormal” tinham menor probabilidade de procurar ajuda. Essa tendência foi mais comum em pacientes com doença de Parkinson do que em pacientes com demência, embora ambos descrevessem sentir-se "envergonhados ou envergonhados".

Como um estudo qualitativo, esta pesquisa fornece insights sobre as experiências do paciente. Com base nesses dados, os pesquisadores sugeriram que os esforços terapêuticos se concentram no apoio “de acordo com o nível de percepção e comprometimento cognitivo”, e que a comunidade médica fornece uma medida adicional de apoio trabalhando para desestigmatizar as alucinações. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Psychiatry Advisor.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Compreender as alucinações e delírios associados à doença de Parkinson (*)

As alucinações e delírios são um aspecto de Parkinson?
As alucinações (ver, ouvir ou observar coisas que não são reais) e delírios (acreditar em coisas que
não são verdade) são sintomas não motores da doença de Parkinson. Em suma, são conhecidos
como psicose da doença de Parkinson. Mais de metade das pessoas que vive com Parkinson terão
alucinações ou delírios durante o curso da sua doença.

O que provoca estas alucinações e delírios?
Atualmente não existe um conhecimento claro da causa exata das alucinações e delírios associados
a Parkinson, embora se acredite que determinados químicos e recetores do cérebro (como a
dopamina e serotonina) contribuam para tal. De um modo geral, crê-se que a condição seja
provocada por um dos seguintes fatores:

Efeito secundário da terapêutica com dopamina
As alucinações e delírios podem ser um efeito secundário de medicações de Parkinson habituais (designadas por terapêuticas dopaminérgicas). Estas medicações aumentam os níveis de dopamina no cérebro, ajudando a melhorar os sintomas motores em doentes com Parkinson. No entanto, o aumento dos níveis de dopamina pode também provocar alterações que levam a alucinações e delírios.

Progressão natural de Parkinson
As alucinações e delírios podem ser desencadeados por alterações no cérebro que ocorrem naturalmente à medida que a doença de Parkinson progride – independentemente de
tomar ou não quaisquer medicações que aumentem os seus níveis de dopamina.

Quem está em risco de desenvolver estes sintomas?
Não existe qualquer previsão certa de que pessoas com Parkinson irão desenvolver alucinações
e delírios. A condição está associada a um número de fatores de risco – tanto internos como
externos. Alguns destes fatores de risco incluem: idade, duração e gravidade da doença de Parkinson e a toma de medicações que aumentam os níveis de dopamina.

Como é que as pessoas descrevem as suas alucinações e delírios?
As pessoas usam, na descrição destes sintomas, termos frequentes como:

Porque é que não existe uma maior sensibilização em relação às alucinações e delírios associados à doença de Parkinson?
Não é raro que as pessoas com psicose associada à doença de Parkinson fiquem em silêncio em relação às suas experiências. Na verdade, apenas aproximadamente 10% a 20% notificam proativamente os seus sintomas aos seus médicos. Continuam a ser envidados esforços para aumentar a sensibilização sobre esta condição. Pode conhecer mais informação sobre os sintomas não motores associados à doença de Parkinson através de qualquer uma das seguintes organizações:

Como posso obter ajuda?
Em primeiro lugar, e mais importante, é falar caso observe quaisquer sintomas como alucinações
ou delírios. É essencial falar sobre todos os seus sintomas da doença de Parkinson com a sua equipa
de tratamento. O diálogo entre doentes, prestadores de cuidados e médicos é uma componente
fundamental no tratamento efetivo da sua condição.

Certifique-se de que pergunta sobre todos os seus sintomas ao seu profissional de cuidados de saúde – e o que pode ser feito para ajudar, incluindo opções de tratamento. Fonte: Nuplazid.

(*)ATENÇÃO: Este artigo foi extraído de anúncio publicitário “velado” do Nuplazid, medicamento destinado a alucinações do Parkinson, que foi aprovado precocemente nos EUA, em rito inusual no FDA, e que causou algumas mortes em usuários e por isso está sendo re-examinado. O tema é imensamente relevante, pois ainda não se tem um tratamento seguro para as alucinações do Parkinson.

sábado, 10 de março de 2018

Compreender as alucinações e delírios associados à doença de Parkinson

As alucinações e delírios são um aspecto de Parkinson?
As alucinações (ver, ouvir ou observar coisas que não são reais) e delírios (acreditar em coisas que
não são verdade) são sintomas não motores da doença de Parkinson. Em suma, são conhecidos
como psicose da doença de Parkinson. Mais de metade das pessoas que vive com Parkinson terão
alucinações ou delírios durante o curso da sua doença.

O que provoca estas alucinações e delírios?
Atualmente não existe um conhecimento claro da causa exata das alucinações e delírios associados
a Parkinson, embora se acredite que determinados químicos e recetores do cérebro (como a
dopamina e serotonina) contribuam para tal (segue..., veja mais aqui: Compreender as alucinações e delírios associados à doença de Parkinson.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

As desconexões do cérebro podem contribuir para as alucinações de Parkinson

September 27, 2017 - Os pesquisadores descobriram que as desconexões das áreas cerebrais envolvidas na atenção e no processamento visual podem contribuir para alucinações visuais em indivíduos com doença de Parkinson, de acordo com um novo estudo publicado on-line na revista Radiology. As áreas do cérebro desconectadas vistas na ressonância magnética funcional (IRMF) podem ser valiosas para prever o desenvolvimento de alucinações visuais em pacientes com doença de Parkinson.

Alucinações são sensações que parecem reais, mas são criadas na mente de uma pessoa. Uma pessoa que tem uma alucinação pode ver, ouvir ou sentir algo que não está realmente lá. De acordo com a Fundação Nacional de Parkinson, alucinações visuais podem ser uma complicação da doença de Parkinson.

"As alucinações visuais na doença de Parkinson são freqüentes e debilitantes", disse o autor do estudo, Dagmar H. Hepp, M.D., do Departamento de Neurologia e do Departamento de Anatomia e Neurociências do Centro Médico Universitário VU (VUMC) em Amsterdã, Países Baixos. "Nosso objetivo era estudar o mecanismo subjacente a alucinações visuais na doença de Parkinson, pois esses sintomas são atualmente mal compreendidos".

Os estudos que utilizam IRMF para investigar alucinações visuais em pacientes com doença de Parkinson são raros e têm sido principalmente limitados a métodos baseados em tarefas usando atividades que envolvem estimulação visual ou tarefas cognitivas. No entanto, os autores observam que a presença de alucinações visuais está fortemente ligada ao desenvolvimento do declínio cognitivo em pacientes com doença de Parkinson. Os déficits cognitivos podem influenciar a capacidade do paciente para realizar tarefas específicas durante um exame fMRI.

Para este estudo, os pesquisadores usaram o fMRI de estado de repouso para examinar a conectividade, ou a comunicação, entre as áreas do cérebro. FMRI de estado de descanso é um método de imagem cerebral que pode ser usado para avaliar os pacientes que não realizam uma tarefa explícita. A conectividade foi medida em 15 pacientes com alucinações visuais, 40 pacientes sem alucinações visuais e 15 controles saudáveis ​​calculando o nível de sincronização entre padrões de ativação de diferentes áreas do cérebro.

Os resultados mostraram que, em todos os pacientes com doença de Parkinson, várias áreas do cérebro se comunicaram menos com o resto do cérebro em comparação com o grupo controle. No entanto, em pacientes que sofrem de alucinações visuais, várias áreas cerebrais adicionais mostraram esta diminuição de conectividade com o resto do cérebro, especialmente aqueles importantes na manutenção da atenção e processamento de informações visuais.

"Descobrimos que as áreas do cérebro envolvidas na atenção e no processamento visual estavam menos conectadas ao resto do cérebro", disse o autor do estudo Menno M. Schoonheim, Ph.D., do Departamento de Anatomia e Neurociências do VUMC. "Isso sugere que a desconexão dessas áreas cerebrais pode contribuir para a geração de alucinações visuais em pacientes com doença de Parkinson".

Embora não existam implicações terapêuticas diretas para o atendimento ao paciente com base na pesquisa, os autores observam que estudos futuros poderiam indicar se as técnicas que poderiam estimular as áreas com conectividade diminuída poderiam ser úteis para tratar alucinações visuais em pessoas com doença de Parkinson. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: MedicalXpress. (com imagens)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os cientistas descobriram como fazer as pessoas alucinarem, e como medir o que vêem

July 13, 2017 - Como podemos medir a mente? Quando você pergunta a alguém sobre o que eles estão pensando, o que eles lhe dizem não é necessariamente a verdade. Isso não significa que eles estão mentindo. Isso significa que muitas influências ambientais, sociais e pessoais podem mudar o que alguém nos diz.

Se eu colocar um colete de laboratório branco, um terno ou uma camiseta e lhe fazer um monte de perguntas, o que eu uso mudará o que você diz. Isso foi demonstrado nos famosos experimentos de Milgrim na década de 1960, que mostraram o poder da autoridade percebida para controlar os comportamentos dos outros. As pessoas querem ser curtidas ou dar uma certa impressão. Isso é comumente referido como gerenciamento de impressões e é um dos obstáculos mais difíceis a superar na pesquisa científica.

Os neurocientistas fizeram avanços notáveis ​​na medição da anatomia do cérebro e suas regiões em diferentes escalas. Mas fizeram poucos grandes avanços na medição da mente, que é o que as pessoas pensam, sentem e experimentam. A mente é notoriamente difícil de medir; Mas precisa ser feito, pois ajudará o desenvolvimento de novos tratamentos para transtornos mentais e neurológicos.

As imagens mentais fora de controle e as alucinações são bons exemplos de sintomas de saúde mental que são difíceis de medir com precisão em ciência e medicina. Nosso estudo publicado nesta semana mostra um novo método para induzir e medir alucinações visuais em qualquer pessoa a qualquer momento.

Essas descobertas abrem a porta para uma nova avenida de pesquisa. Agora podemos estudar alucinações visuais no laboratório usando alguém como sujeito.

O que são alucinações?

As alucinações são comumente associadas a distúrbios como esquizofrenia e doença de Parkinson. Mas pessoas saudáveis ​​também podem ter alucinações visuais depois de tomar drogas, privar o sono ou sofrer enxaquecas, apenas para citar algumas condições.

Vídeo de Joel Pearson.
Geralmente, as alucinações são definidas como uma experiência de percepção involuntária na ausência de um estímulo direto direto. Para colocá-lo mais simplesmente, vendo ou ouvindo algo que não existe. As alucinações podem variar de formas geométricas simples, como bolhas, linhas e hexágonos, para ver animais, pessoas ou insetos.

Essas experiências involuntárias são pensadas para surgir quando mudanças espontâneas no cérebro temporariamente seqüestram visão e atenção, mas as causas exatas e os mecanismos subjacentes não são totalmente compreendidos. A melhor maneira de entender essas coisas é induzir uma alucinação e observá-la em um laboratório.

Sabemos há mais de 200 anos que a luz cintilante em frequências particulares pode fazer com que quase todos experimentem alucinações. Mas a imprevisibilidade, a complexidade e a natureza pessoal destes os tornam difíceis de medir cientificamente sem ter que confiar em descrições verbais. A mudança de conteúdo, incluindo cores e mudanças de formas, aumenta a dificuldade.

O avanço simples em nossa pesquisa foi reduzir as alucinações das luzes cintilantes para uma dimensão solitária: gotas cinzentas. Para fazer isso, ao invés de acender e desligar as luzes aleatórias ou um computador completo ou tela de TV, pisamos uma forma de anel de rosca em vez disso.

Para nossa surpresa, quando fizemos isso, já não vimos muitas formas e cores diferentes, mas apenas bolhas cinzas. Ao estabilizar de forma confiável a alucinação dessa maneira, poderíamos começar a investigar objetivamente seus mecanismos subjacentes.

Induzindo alucinações

Os voluntários participantes do nosso estudo eram estudantes universitários sem história de enxaqueca ou distúrbios psiquiátricos. Eles assistiram a imagem de um simples anel branco aceso e desligado cerca de dez vezes por segundo contra um fundo preto. Todos relataram que apareceram manchas cinzas pálidas no anel e rodam ao redor, primeiro em uma direção e depois a outra.

Para medir as alucinações, colocamos um segundo anel marcado com bolhas perceptuais permanentes (não alucinadas) dentro do anel branco e depois virava novamente este anel. Isso permitiu que as pessoas observassem simultaneamente as bolhas alucinadas e perceptivas e fizessem uma comparação simples.

Mostramos uma série de manchas de diferentes forças perceptivas. Os participantes então declararam se as gotas alucinadas eram mais claras ou mais escuras do que as bolhas reais. Suas respostas nos ajudaram a calcular o ponto equivalente em força ou contraste entre percepção e alucinações.

O que mais fizemos
Utilizamos técnicas de ciência comportamental para demonstrar que as alucinações surgiram no córtex visual. Fizemos isso mostrando voluntários dois anéis cintilantes - um para cada olho, exibido fora da sincronia. Então, quando um anel foi apresentado, o outro foi removido, então alternaram entre os dois olhos.

Estas luzes estavam piscando cerca de 2,5 vezes por segundo - uma taxa relativamente lenta, que normalmente não induz forte alucinações. Mas os voluntários experimentavam alucinações consistentes com as luzes piscando cerca de cinco vezes por segundo. Os sinais dos dois olhos estavam sendo combinados no cérebro para criar uma alucinação mais forte e rápida.

Esta combinação dos sinais dos dois olhos realmente só acontece no córtex visual, não nos olhos ou em outras áreas de processamento precoce do cérebro que recebem entrada visual antes de chegar ao córtex. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: The Independent, com links.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Antipsicóticos aumentam o risco de morte em pessoas com Parkinson

11/12/2016 - Os medicamentos antipsicóticos podem aumentar o risco de morte em pessoas com psicose de Parkinson (PDP), de acordo com um novo estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociências (IoPPN) do Kings College London.

Publicado na JAMDA, o estudo apontou que pessoas com PDP que foram tratadas com antipsicóticos apresentavam quatro vezes mais probabilidade de morrer na sequência de três a seis meses de tratamento do que aquelas que não receberam qualquer medicação antipsicótica. Elas também eram mais propensas a ter problemas graves de saúde, incluindo declínio cognitivo, agravamento dos sintomas do Parkinson, acidente vascular cerebral, infecções e quedas.

A doença de Parkinson afeta aproximadamente 7-10 milhões de pessoas em todo o mundo e é caracterizada pela perda progressiva da função motora, sintomas psiquiátricos e disfunção cognitiva. A psicose é um grupo comum e angustiante de sintomas psiquiátricos que afeta as pessoas com Parkinson, geralmente manifestando-se como alucinações e delírios. A PDP afeta mais de 50% das pessoas com Parkinson em algum momento de sua condição e os antipsicóticos são, muitas vezes, utilizados para tratar esta psicose.

“Os antipsicóticos são conhecidos por estarem ligados a danos graves em pessoas com doença de Alzheimer. Os resultados do estudo mostram que um risco similar, embora não idêntico, pode ser visto em pessoas com Parkinson. Médicos, pacientes e familiares devem considerar esses riscos com muito cuidado quando se considera potenciais tratamentos para a psicose e qualquer outro sintoma comportamental em pessoas com doença de Parkinson, tais como agitação ou agressividade. São necessárias mais pesquisas para desenvolver novos e melhores tratamentos para a psicose e outros sintomas comportamentais”, alerta o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140. Fonte: Willian Rezende.

domingo, 4 de dezembro de 2016

A psicose afeta metade dos pacientes da doença de Parkinson

Mas agora há, nos EUA, uma nova droga para tratá-la.
Sunday, December 4th 2016 - Uma noite sem aviso, Jay Sagen saltou da cama e agarrou a colcha, depois correu para baixo e atirou-a para a rua. Ele tinha certeza de que havia uma grande serpente negra nela. Sua esposa Diane apavorada correu atrás dele e tentou explicar que não havia nada. "Mas ele não estava me ouvindo, tentando convencê-lo."

Então Jay começou a ver gatos pretos por toda parte na casa. Ele acreditava que havia grupos de pessoas na propriedade à noite também, e que uma criatura chamada Big Boy estava em sua cama com eles. Às vezes, acreditava que passava noites inteiras falando com seu irmão na sala de estar de sua acolhedora casa na Califórnia ao sul de Los Angeles.

Ele simplesmente não entendeu quando Diane lhe disse que seu irmão nunca esteve lá.

Jay, um artista de 77 anos, ensinou durante décadas nas faculdades comunitárias locais. Ele foi diagnosticado com a doença de Parkinson em 2009, após um neurologista observou seus tremores e outros sintomas físicos, incluindo rigidez. Diane, terapeuta de 73 anos, não teve medo: "Vamos lidar com isso, se é isso", pensou.

Diane sabia que a doença estava associada a problemas de saúde que variavam de dificuldade para dormir a tremores e retardamento do movimento. Ela também esperava que ele pagaria um pedágio com seu tempo e energia enquanto ela ajudou Jay com suas deficiências físicas.

O que ela não sabia - e o que poucas pessoas até mesmo dentro das profissões médicas e cuidados percebem - é que ao longo da doença, pelo menos metade das pessoas diagnosticadas com doença de Parkinson desenvolverá um outro conjunto de sintomas conhecidos como psicoses da doença de Parkinson (PDP). O impacto sobre o paciente e sua família - muitas vezes porque eles não sabem o que está acontecendo - pode ser devastador.

Os sintomas de PDP de Jay começaram como comportamentos frustrantes e irritantes. Ele insistia que Diane estava roubando as finanças da família, por exemplo, ou a acusava de ser infiel depois de 50 anos de casamento. Eventualmente, as manifestações se tornaram mais sérias. Ele estava cada vez mais vendo coisas e pessoas que não estavam lá. Estava assustado. Em uma ocasião, Diane voltou do trabalho para saber que Jay estava no hospital. Ele tinha caído mal durante o carregamento fora da casa porque ele tinha se convencido de que ele estava atrasado para uma festa. "Quando eu penso em volta, isso foi perturbador", diz ela. "Eu pensava: 'Quanto mal isso vai ficar?'"

Não havia resposta para sua pergunta. PDP traz consigo uma série de questões graves relacionadas, tais como um maior risco de morte prematura. Para piorar as coisas, as drogas para tratar a psicose podem aumentar os sintomas físicos da doença de Parkinson. Nos últimos meses, no entanto, uma nova droga tornou-se disponível. É o primeiro de seu tipo e trata especificamente a psicose sem afetar outros sintomas - mas para pessoas como Jay e Diane, perguntas sobre quem a droga pode ajudar, quem pode ter acesso a ela, e quanto custa agora são grandes.

O paradoxo da droga
"Parkinson é muito facilmente reconhecido. As pessoas são abrandadas, estão curvadas, têm um tremor e nós pensamos nisso como uma desordem motora - o que é", explica o Dr. Jeffrey Cummings, diretor da Cleveland Clinic Lou Ruvo Centro de Saúde do Cérebro em Las Vegas e Uma autoridade líder em Parkinson e PDP. "Mas as pessoas muitas vezes não estão familiarizadas com os componentes não-motores da doença de Parkinson, incluindo depressão e psicose".

Estima-se que entre 7 e 10 milhões de pessoas têm a doença de Parkinson em todo o mundo - 1milhão nos EUA e mais de 100.000 no Reino Unido. Isso significa que vários milhões de pessoas também desenvolverão PDP e experimentarão, por vezes, delírios e alucinações debilitantes. No entanto, enquanto os especialistas reconhecem que a consciência geral dos sintomas motores do Parkinson é alta (certamente nos EUA, onde o lançamento de uma fundação pelo ator Michael J Fox após seu diagnóstico impulsionou-o para o centro das atenções), PDP permanece amplamente oculta, mal entendida e subtratada.

A Dra. Rachel Dolhun, vice-presidente de Comunicações Médicas da Fundação Michael J Fox, ressalta que pode ser difícil para as pessoas fazer a conexão entre os sintomas do PDP e Parkinson, e falar abertamente sobre isso. "Eu acho que a dificuldade é que PDP tem sintomas que as pessoas não reconhecem, que não trazem até seus médicos e seus cuidadores, porque eles não percebem que é um problema ... eles têm medo que eles estejam ficando loucos, ou eles pensam que não há um tratamento para ele. Mesmo o fato de que ele é definido como psicose é uma coisa assustadora. "

Tranquilizar as pessoas de que é parte da doença é um grande problema, acrescenta. "Pode acontecer e há coisas que podemos fazer - mas não podemos fazer nada se você não nos contar sobre isso".

Não está claro exatamente o que a causa, mas a psicose pode resultar da doença de Parkinson subjacente (principalmente entre aqueles que têm vivido com ele por muito tempo) ou a medicação usada para tratá-la. Medicamentos prescritos para aliviar os sintomas motores do Parkinson, reabastecendo dopamina, o químico do cérebro que é diminuído em pessoas com a doença. O problema é que, embora isso possa reduzir os sintomas motores, o aumento da dopamina pode estimular outras partes do cérebro e causar psicose.

Enquanto isso, os medicamentos usados ​​até o momento para tratar sintomas de psicose - drogas como a clozapina - agem bloqueando o sistema de dopamina, o que tende a piorar os problemas motores, bem como correr o risco de efeitos colaterais graves.

Cummings resume assim: "O grande paradoxo é que as drogas que melhoram a psicose tornam o Parkinson pior. E assim nós apenas não tivemos uma boa alternativa para nossos pacientes em termos de controlar psicose. "

As alucinações e depressão
Diane Sagen pousa no sofá na sala de sua casa em um tranquilo beco sem saída perto de Newport Beach. Ela tem uma pilha de notas em suas mãos - páginas de um diário que ela mantém para a crônica da progressão da doença de Jay. Ao seu lado, apoiada em uma almofada, é uma tela com vídeo ao vivo streaming do quarto para que ela possa manter um olho em seu marido enquanto ele descansa.

"[Eu] estou sempre vigilante no caso de ele cair, o que ele faz muito", diz ela. "Eu sou muito hipervigilante. De vez em quando você não agüenta mais e você vai desligar [a vigilância] e então algo vai acontecer. "

Diane teve apoio intermitente para Jay, como assistentes de cuidados, sem o qual ela diz que lutaria para lidar. Enquanto estamos falando, ela recebe uma chamada inesperada de um trabalhador de saúde que confirma que o casal tem alucinações e depressão para alguns cuidados de emergência novo através de Medicare, o programa de seguro de saúde federal para aposentados. Colocando o telefone, ela respira fundo, e diz para si mesma: "Oh, isso é ótimo."

Sem esse tipo de ajuda o que ela faria? "Eu não sei. Sai da minha mente. Eu estaria totalmente desgastada."

Diane diz que os grupos on-line a ajudaram a apoiar outros em circunstâncias semelhantes - especialmente nos piores dias - e a receber apoio em troca. Ela é ativa em grupos de cuidadores e se coloca diante de entrevistas como esta para aumentar a conscientização das pessoas. Mas mesmo com a sua determinação em aproveitar ao máximo as coisas, e dado que de vez em quando há vislumbres do Jay que ela se apaixonou, ela confessa que está ficando mais difícil com o passar do tempo. Exaustão física é uma repercussão de ajudar Jay a sair no dia-a-dia com sua mobilidade.

Mas na ausência de fundos ilimitados para pagar por ajuda em tempo integral, ela diz, é um esforço crescente. A solidão é um aspecto particularmente desafiador do papel de cuidador também. "Você só quer escapar, basicamente. É realmente 24 horas por dia de cuidar. E se você não fugir ocasionalmente, você sabe, você de repente acordar e perceber que você está debaixo d'água.

"Essa é a grande coisa com isso. É esse sentimento de isolamento que você recebe ", diz ela. "Ninguém entende. Eles não sabem como é difícil. Se você já dormiu o suficiente, você pode se separar e dizer 'OK, é a doença'. Se você não está descansando, você diz 'Oh meu Deus, eu vou matar esse homem' ".

Voltando lá embaixo em um ponto depois de verificar Jay, Diane explica por que ela tem falado sobre PDP. "Isso é o que me foi entregue. Acho que sinto uma responsabilidade. Estou feliz por ter essa voz.

Pressão sobre casamentos e outras relações são características recorrentes de viver com PDP, não menos importante porque a paranóia sobre a infidelidade tão altamente características. O Dr. Jim Beck, vice-presidente de Assuntos Científicos da Fundação para a Doença de Parkinson nos EUA, diz que o "efeito de ondulação" na família e entes queridos é significativo. "A psicose, como fica mais grave, pode ser realmente perturbadora para relacionamentos e para cuidadores. Essa é a razão número um pelas pessoas com Parkinson entrar em lares de cuidados. É por causa da psicose.

E porque os sintomas são tão complexos e desafiadores para gerenciar, uma vez que alguém sofrendo de psicose é colocado em um lar de idosos, eles são altamente susceptíveis de permanecer lá permanentemente. Uma droga que trata os sintomas da psicose sem fazer os sintomas físicos de Parkinson pior é algo que os profissionais médicos e aqueles afetados por PDP têm esperado por muito tempo. Eles sabem que teria um enorme impacto sobre a qualidade de vida das pessoas com Parkinson e seus cuidadores.

Elaine Casavant é um defensor de longa data em nome de pessoas com PDP e suas famílias. Uma ex-enfermeira, ela é membro do Conselho Consultivo de Pessoas com Parkinson, que guia o trabalho da Fundação da Doença de Parkinson e fala em todo os EUA sobre o assunto. Ela diz que as dificuldades de viver com e tratar PDP devem ser muito mais visíveis e uma maior prioridade para os formuladores de políticas, pesquisadores e médicos.

O marido de Elaine, Len, foi diagnosticado com Parkinson no início da década de 1990, quando ele estava na casa dos 40 anos. Seus sintomas de psicose, inicialmente mal diagnosticados como demência, têm diminuído às vezes como alguns medicamentos e intervenções, tais como estimulação cerebral profunda, produziram alívio temporário. Mas no geral, ela diz, as acusações de infidelidade e os delírios e alucinações têm tomado seu pedágio. "Eles são estranhos, eles são prejudiciais, eles estão assustando", diz ela.

Uma noite, Len levantou-se pensando que as crianças estavam brincando em seu quarto. Elaine ouviu-o gritar durante a noite e correu para o quarto. Mas Len tinha enfiado uma extensão na entrada. Como ela tropeçou e caiu, ele começou a gritar: "Elaine, Elaine, eu tenho um!"

Observar o sofrimento de seu marido às vezes se sentiu implacável. "Às vezes eu sinto que sou uma prisioneira na minha própria casa. Não importa quantas vezes você corrigir ou corrigir ou limpar, amanhã vai ser o mesmo, se não pior. "

Ao longo dos anos Elaine ouviu as mesmas frustrações de pessoas em circunstâncias semelhantes, e que a tensão é muitas vezes insuportável. Ela também tem destacado através de sua experiência pessoal e ativismo a ausência flagrante de qualquer tratamento eficaz para direcionar PDP. Mas essa ausência pode em breve ter terminado.

O trocador de jogos?
Em 29 de abril de 2016, a FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos aprovou o primeiro medicamento para tratar delusões e alucinações associadas ao PDP. Ensaios mostraram a medicação - marca Nuplazid e do composto pimavanserin - aliviou os sintomas da condição sem os mesmos efeitos negativos sobre os sintomas motores como outros antipsicóticos drogas. Isso ocorre porque a nova droga, da empresa farmacêutica Acadia, com sede em San Diego, não atua na dopamina no cérebro.

Na verdade, é o primeiro exemplo de uma classe de medicamentos chamados agonistas inversos de serotonina seletiva, e está sendo promovido por Acadia como uma "terapia inovadora". "Não funciona nos receptores da dopamina. Ele funciona nos caminhos da serotonina ", explica Rachel Dolhun. "Então, ele tem esse novo mecanismo de ação."

Jeffrey Cummings, pesquisador principal do estudo, diz que após um longo tempo gasto na busca de um composto que aliviaria os sintomas de alucinações e delírios em pessoas com Parkinson, a nova droga é um trocador de jogos. "É um composto inovador, porque não só não temos nenhum tratamento para a psicose na doença de Parkinson, não temos tratamento para a psicose em qualquer doença neurológica".

A chegada de Nuplazid é "um grande negócio" para as pessoas com PDP, bem como para seus entes queridos, se a carga de cuidados pode ser reduzida, diz Jim Beck: "Ter uma droga que não interfere com os sintomas motores ou outros aspectos de Parkinson ainda tem o potencial para realmente resolver a psicose - é realmente importante. "

Testando Nuplazid
Ruth Ketcham foi uma das pessoas que participaram do julgamento. Suas alucinações tinham começado um ano após seu diagnóstico com Parkinson. No começo, sua filha Jody Wade explica, era a crença de que os animais estavam na casa à noite. "Eu acreditei nela. Eu disse: "Que tipo de animais?" Um exterminador confirmou que não havia nenhum.

Os alarmes começaram a soar mais alto quando Ruth começou a repetir uma "espécie de história divertida" sobre os vizinhos fazendo T'ai Chi no jardim todas as manhãs ao amanhecer. "Mais uma vez, eu acreditei", diz Jody. "Ela descreveu as pessoas em detalhes surpreendentes e os detalhes nunca mudaram." Só depois que Jody passou a noite na casa, ela percebeu que era uma alucinação elaborada.

Depois de ter sido alertada por seu especialista do ensaio de fase III de pimavanserina, Ruth concordou em participar. "Eu tenho que dizer - e eu não disse isso à minha mãe - eu realmente não era tão esperançosa", admite Jody. "Ela tinha um tiro 50/50 de obter o placebo. Mas você sabe o que? Valeu a pena um tiro. Não havia nada mais que pudesse ajudá-la.

Mais de cinco anos depois, e agora 93, Ruth ainda está tomando a droga e o resultado tem sido dramático para toda a família. "Lembro-me de voltar ao médico com a minha mãe e apenas estar absolutamente exaltada", diz Jody, levantando-se. Ela disse ao médico que sua mãe obviamente tinha a verdadeira droga. "O médico disse: 'Você não sabe disso.' Mas eu disse: 'Sim. Mas eu sei disso." "Dentro de semanas, as alucinações tinham drasticamente reduzido, e enquanto há alguns sintomas suaves de vez em quando, eles não são nada como antes.

"Eu pergunto a minha mãe: 'O que isso significa para você? O que você tira disso? "E ela diz:" Isso me deu uma vida normal de volta. "Cinco anos depois eu ainda choro falando sobre isso. Nos deu anos com minha mãe que não teríamos tido."

Como qualquer droga, Nuplazid tem vários possíveis efeitos colaterais. As reações adversas registadas nos ensaios incluíram um pequeno número de participantes com náuseas, constipação e confusão - por sorte, Ruth não experimentou nenhum deles.

Elaine Casavant adverte que as drogas não funcionam da mesma forma para todos, mas também que as pessoas nem sempre conseguem acessar a medicação quando ela foi aprovada, por exemplo, se o seguro de saúde não cobre, ou se eles são pobres. As drogas não são baratas nos EUA, especialmente as de marca.

"A maioria das pessoas que lidam com isso é exatamente como eu, vivendo com renda fixa e já pagando por medicamentos", diz ela. "Eu estou no processo de negociar o seguro [para uma prescrição de Nuplazid]. É uma questão de negociar uma taxa que podemos pagar. Mas, novamente, eu estaria disposto a pagar do bolso para obter esta droga, logo que eu puder obtê-la.

No início de setembro, algumas semanas após a primeira prescrição de Nuplazid por Jay Sagen, Diane notou alguns sinais positivos em seu diário. "É meio esporádico", ela confirmou. "Ele vai ter um par de dias sem delírios, então um dia com muitos deles. Eu noto uma diferença entretanto. Ele vai apontar para o que ele acha que é um homem (geralmente no espelho) e dizer algo sobre ele. Tudo o que preciso é para eu dizer, 'Não há homem', e ele vai dizer: 'Oh,' e soltá-lo. Então ele é mais fácil de trazer para a realidade do que ele era. "

Um mês depois, em uma nova atualização, ela explicou que as coisas estavam continuando a melhorar: "O Nuplazid está funcionando muito bem agora. Ele só vê a pessoa fantasma ocasional agora. "

Por enquanto, Nuplazid só está disponível nos EUA. Enquanto a Acádia empurra para uma distribuição mais ampla e informa os profissionais médicos sobre a evolução, além de fazer movimentos para tê-lo aprovado em outros mercados, como a Europa, milhões de pessoas com PDP terão que esperar para ver se este composto potencialmente transformador irá trabalhar para eles.

Ainda compreendendo o Parkinson
Então o que vem depois? Que uma nova terapia tenha sido aprovada é compreensivelmente bem-vinda, mas está longe do fim do sofrimento, não menos importante porque as causas da doença de Parkinson ainda não são bem compreendidas e uma cura está longe do horizonte.

No entanto, Rachel Dolhun diz que pela primeira vez uma variedade de "realmente emocionantes" terapias poderia estar em curso para oferecer alívio para as pessoas com Parkinson em geral, e também para aqueles com PDP. Alguns podem até estar disponíveis em menos de dois anos. A maioria destas novas terapias potenciais estão nos estágios iniciais dos ensaios, mas, diz ela, as possibilidades são, no entanto, significativas: "Sabendo que há pesquisa em curso para entender melhor o Parkinson, desenvolver tratamentos melhores e mais recentes e encontrar uma cura é certamente motivo para otimismo."

Jeffrey Cummings também é esperançoso. Ele acha que o passo em frente com pimavanserin poderia abrir caminho para outros como ele e diz que já está sendo abordado por empresas farmacêuticas interessadas em mais pesquisas após os ensaios que trouxe Nuplazid para o mercado.

"Esta é uma mudança de paradigma em termos de abertura do campo. Dizer: "Sim, estamos começando a saber o suficiente sobre a biologia subjacente a esses sintomas para que possamos intervir mais eficazmente." E não será apenas o Parkinson. Este é um portal para intervenções neuropsiquiátricas mais eficazes. "

Enquanto isso, cuidadores como Jody Wade, Elaine Casavant e Diane Sagen entendem o que é estar na linha de frente do PDP. Todos eles gostariam de uma cura para seus entes queridos, é claro, mas na sua ausência eles dizem que um melhor apoio, como mais tempo para os pacientes e cuidadores para ajudar a navegar desafios únicos da condição, é vital. Sensibilização também é crucial, não só para que as pessoas são diagnosticadas e tratadas, mas também porque o financiamento da investigação pode seguir.

De acordo com Jim Beck, educar a população mais ampla sobre PDP é primordial. "Eu acho que isso realmente fala para o cerne da questão - que isso é algo que não é apenas falado."

"Você não acreditaria nas pessoas que vivem isoladas com isso", conclui Elaine. "Eles não têm apoio, eles não têm apoio." Jody concorda: "Muitas pessoas sofrem em silêncio." Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Scroll.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O progresso contra a doença de Parkinson

Médicos da UC Irvine Health apontam para o diagnóstico precoce no tratamento de uma doença misteriosa

June 26, 2016 - Todas as noites, depois do jantar, assim como o sol está diminuindo no céu ocidental, Arthur "Jay" Sagen começa a se sentir incomodado e se vira para sua esposa de 51 anos, Diane, para segurança. Jay, 76, foi diagnosticado com a doença de Parkinson, doença degenerativa do cérebro seis anos atrás.

Ele tem os sintomas típicos de tremores e dificuldade de movimentação. E como muitos pacientes nos estágios avançados da doença, ele ocasionalmente experimenta pensamentos delirantes ou alucinações.

Os sintomas comportamentais surgiram há alguns anos atrás quando o artista aposentado e professor de arte começou a ver gatos pretos aparecendo na periferia de sua visão. Então, um dia, em 2013, Diane, 72, um casamento e terapeuta de família aposentado, chegou em casa e Jay avisou, "A sala está cheia de pessoas."

"Foi perturbador, mas eu tinha lido que havia uma possibilidade de alucinações", diz Diane. "Seus sintomas são geralmente piores à noite, quando a luz é dimmer e ele pode interpretar mal as coisas. Normalmente depois do jantar temos bastante conversas sobre quem é e quem não está aqui. "

Para o tratamento e apoiar os Sagens virar para Programa de Doenças e Distúrbios do Movimento da UC Irvine Saúde de Parkinson, onde especialistas reconhecem a ampla gama de sintomas e estão equipados para ajudar. O objectivo global do programa é manter os pacientes que funcionem bem e por tanto tempo, quanto possível, enquanto procuram uma cura para esta condição misteriosa.

"Eles são tão bem informados," Diane diz do pessoal do programa, composto por quatro médicos, incluindo o médico de seu marido, Dr. Neal Hermanowicz, diretor do Programa de Distúrbios do Movimento.

A progressão da doença de Parkinson

Cerca de 1 milhão de americanos estão aflitos com a doença de Parkinson e distúrbios afins do movimento "Parkinson", como a demência de Lewy. O risco de desenvolver a doença aumenta com a idade, e a idade média do diagnóstico é 60. Assim, com o envelhecimento da população, cerca de 2 milhões de americanos estarão vivendo com a doença em 2030, diz Hermanowicz.

A doença de Parkinson ataca uma parte do cérebro chamada de substancia nigra e provoca a destruição das células que produzem dopamina, um neurotransmissor essencial para o movimento e função cognitiva. Como a dopamina é perdida, os sintomas da doença clássica de Parkinson, em conjunto, incluindo tremores, rigidez, fraqueza, problemas com a postura, e os sintomas comportamentais, como confusão, ansiedade e alucinações.

Com o objetivo para o diagnóstico e tratamento precoce

Ainda não está claro, no entanto, o que provoca a doença ou até mesmo onde ela começa. De acordo com a pesquisa apresentada em um simpósio outono de 2015 sobre a doença na UC Irvine, o transtorno pode começar fora do cérebro, talvez no sistema nervoso periférico. Identificar onde a doença se origina e identificar seus primeiros sinais biológicos, chamados biomarcadores, poderia levar a diagnósticos mais eficazes e terapias anteriores para preservar a função cerebral, diz o Dr. Howard Federoff, reitor da Escola de Medicina e vice-reitor da UC Irvine Saúde. Federoff é também um dos maiores especialistas do país em pesquisa de Parkinson.

"Vinte e cinco anos atrás, sabia muito menos do que sabemos hoje sobre Parkinson", diz ele. "É nossa convicção de que quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a chance de fazer neuro-proteção".

Os investigadores já sabem que alguns dos primeiros sintomas da doença incluem uma sensação de deterioração do cheiro, bem como prisão de ventre, movimento rápido dos olhos, anemia, ansiedade, problemas de humor e distúrbios do sono.

"Nos últimos 10 ou 15 anos, a ênfase tem sido não apenas em sintomas motores; Foi alterado para detectar sintomas muito antes, tais como alterações de humor, alterações do sono, problemas de movimento do intestino ", diz o Dr. Nicolas M. Phielipp, professora assistente no Departamento de Neurologia. "Estes parecem ser os sintomas que anunciam os aspectos motores da doença." Phielipp também é parte do Programa de Transtornos Movimento juntamente com o Dr. Anna Morenkova; também de distúrbios do movimento que tratam em conjunto. O quarto membro da equipe é o Dr. Frank Hsu, presidente do Departamento de Neurocirurgia e um especialista no tratamento cirúrgico.

Na última década ou duas, muitos tratamentos para a doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento Parkinsonianos foram tentados e fracassaram. Mas especialistas agora sugerem que talvez essas terapias possam funcionar em pacientes que são diagnosticados mais cedo, com doença menos avançada do que em pacientes que estão em estágios mais avançados, Phielipp explica.

A UC Irvine Saúde está na vanguarda da pesquisa em diagnóstico e tratamento precoce. Phielipp está lançando um projeto buscando identificar cedo, biomarcadores específicos da doença, examinando o cérebro com dispositivos de imagens sofisticadas e gravações musculares, enquanto os indivíduos realizam tarefas motoras simples, como tocar os dedos sobre uma mesa.

"Se pudermos encontrar um marcador precoce da doença, mesmo sem entender completamente o que está acontecendo, tentando terapias mais cedo no processo da doença aumentam nossas chances de sucesso na tentativa de retardar ou parar a doença", diz ele.

A UC Irvine Saúde também faz parte do prestigiado Grupo de Estudo Parkinson, uma organização sem fins lucrativos de médicos e outros profissionais de saúde a partir de centros médicos nos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico com experiência no tratamento de doentes de Parkinson e dedicada à pesquisa clínica. O grupo inscreve participantes em diversos estudos, incluindo um estudo de Fase 3, chamado Steady-PD, para avaliar um medicamento chamado isradipina e a sua capacidade para alterar a progressão da doença de Parkinson.

"Nós temos um grande programa de ensaios clínicos na UC Irvine Saúde neurologia," diz o Dr. Steven L. Small, professor e presidente do Departamento de Neurologia. "A Neurologia da UC Irvine Saúde está concentrando-se não apenas nos tratamentos state-of-the-art de todas as doenças neurológicas, mas também sobre os agentes experimentais que achamos que podem ajudar quando outras coisas não podem ajudar. Temos muitas opções de ensaios clínicos. "

A terapia gênica é uma promessa

Outros estudos estão em andamento para avaliar as drogas que afetam os sintomas motores. E Federoff faz parte de um grupo de estudo multicêntrico que explora a terapia genética para a doença de Parkinson. O primeiro ensaio clínico de terapia genética para a doença de Parkinson começou em 2003, e uma década mais tarde cinco desses ensaios estavam em andamento. O progresso reflete uma melhor compreensão da biologia do cérebro e anatomia, diz Federoff.

A terapia genética envolve a introdução de um gene saudável, funcionando no cérebro que vai começar a fazer um novo suprimento de dopamina. Federoff e seus colegas dedicaram muitos anos ao desenvolvimento de uma ferramenta, chamada de vector viral, de forma segura para a entrega de terapia génica para o cérebro. Eles desativam um vírus, removendo o material infeccioso, e transferem um gene obtido por engenharia para dentro da célula.

"O vetor é uma maneira de entregar a carga", explica ele. "É concebida para transportar o gene terapêutico. O objetivo é suportar a saúde do neurônio para que ele possa funcionar corretamente ".

Os pesquisadores já mostraram que o vetor viral é seguro e bem tolerado pelos pacientes, e eles aprenderam como fazer o vetor em grandes quantidades-mais um passo crucial. A próxima fase da pesquisa se concentra no uso do vetor para entregar um gene com informações capazes de produzir uma substância chamada fator neurotrófico derivado de células gliais (GDNF). O GDNF é um produto químico que pode ajudar a proteger e fortalecer as células cerebrais que produzem a dopamina. Os estudos em primatas não humanos indicam que a entrega do gene de GDNF para o cérebro provoca células cerebrais importantes para a produção de dopamina a estabilizar e mesmo regredir.

Um ensaio clínico de Fase 1 para testar a segurança e tolerabilidade do tratamento em 24 pacientes está em andamento no National Institutes of Health. "Teremos mais dados do que foi coletado, e eu acho que isso vai nos informar muito daqui para frente", diz Federoff.

Preservando a qualidade de vida

Quando os tratamentos futuros podem prender ou curar a doença, os profissionais de UC Irvine saúde hoje oferecem uma ampla variedade de tratamentos e serviços de apoio para ajudar os pacientes a permanecerem tão funcionais quanto possível. O medicamento levodopa notável é a base do tratamento da doença de Parkinson. A droga trata os sintomas da rigidez, tremores e espasmos musculares.

Alguns pacientes são também candidatos para estimulação cerebral profunda, uma cirurgia para a doença de Parkinson. A estimulação cerebral profunda envolve cirurgicamente implantar um dispositivo operado por bateria no cérebro, semelhante a um marcapasso cardíaco, que fornece impulsos elétricos para áreas do cérebro que controlam o movimento e bloqueando os sinais nervosos anormais que causam problemas tremores, rigidez e movimento. É considerado para pessoas cujos sintomas respondem à levodopa mas a experienciam incômodas flutuações motoras, diz Phielipp.

"Nós temos na clínica um programa de estimulação cerebral profundo muito ativo na UC Irvine Saúde", explica ele. "Nós oferecemos este tratamento quando é apropriado. Não é para todos. A seleção dos pacientes é muito importante para o seu sucesso. "

Outro foco importante do programa UC Irvine Saúde é sobre os sintomas comportamentais da doença de Parkinson. Embora muitas vezes sem solução, sintomas como delírios, alucinações, ansiedade, depressão, apatia e comportamento compulsivo não são incomuns. Os médicos podem prescrever medicamentos antipsicóticos para ajudar a aliviar os sintomas comportamentais.

As famílias também são instruídas sobre o que esperar e são dirigidos aos recursos para o apoio. Por um tempo, Diane e Jay Sagen participaram de um grupo de exercícios para pacientes com doença de Parkinson e seus cuidadores. Jay está agora com uma medicação para acabar com as alucinações, enquanto Diane atende a um grupo de apoio cuidador e faz ioga para aliviar o stress.

Jay às vezes não reconhece Diane e exige saber onde sua esposa está. Ocasionalmente, ela pega seu telefone de casa e chama a si mesma em seu telefone celular para que Jay possa "falar com ela."

"Eu fico impaciente, às vezes porque eu sei que certas coisas não são verdadeiras, e eu quero que ele saiba que não é verdade", diz ela. "Ele toma uma dose baixa de um medicamento chamado clozapina agora, e isso tem ajudado. E eu posso conseguir com o Dr. Hermanowicz no telefone quando eu preciso dele ".

Cerca de 50 por cento das pessoas com Parkinson têm sintomas de alucinações, muitas vezes suaves, diz Hermanowicz. As alucinações são mais comumente visuais, mas também podem ser auditivas, como ouvir as pessoas falando em casa quando ninguém está presente, ou eles podem ser táteis, tais como a sensação de alguém tocá-los. Delírios são menos comuns, mas podem incluir pensamentos de que alguém vai prejudicá-los ou está roubar seu dinheiro, diz ele.

"Delírios são sempre desagradáveis, desagradáveis e perturbadores", diz ele. "Eu tive pacientes a chamar 911 as 3:00 porque pensavam que alguém estava tentando entrar em sua casa."

Uma avaliação minuciosa do paciente pode ajudar a identificar o que pode estar causando os sintomas. As medicações antipsicóticas são frequentemente prescritas, diz Hermanowicz. A equipe de saúde também trabalha duro para lidar com a depressão e a ansiedade que pode acompanhar a doença.

"Parkinson mantém as pessoas em suas cadeiras", diz ele. "O exercício pode desempenhar um papel importante no tratamento da depressão." Hermanowicz muitas vezes refere-se os pacientes a um terapeuta na UC Irvine Saúde, que é especialmente treinado na doença de Parkinson.

Ele e seus colegas também orientam os pacientes e seus cuidadores para apoiar os serviços. Hermanowicz co-fundou o grupo do California Parkinson a fomentar o apoio e colaboração entre indivíduos e famílias em Orange County que vivem com o início jovem da doença de Parkinson.

"Qualidade de vida são preocupações que conduzem nossas ações", diz Phielipp. "Se nós ainda não temos a cura, o objetivo principal de cada visita é abordar a qualidade de vida." (…) segue. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: UCIrvineHealth.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Alucinações menores podem preceder sintomas motores no Parkinson

October 8, 2015 – Cerca de quatro em 10 pacientes com doença não tratada de Parkinson (DP) experienciam alucinações menores, mostra a pesquisa.

“A descrição de ilusões e alucinações visuais menores no início da DP não é novidade”, diz Jaime Kulisevsky (Hospital de Sant Pau, Barcelona, ​​Espanha) e copesquisador.

“No entanto, um novo achado deste estudo é a constatação de que os fenômenos alucinatórios menores podem aparecer não só antes de iniciar o tratamento dopaminérgico, mas por muito tempo antes do início dos sintomas motores parkinsonianos.”
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Todos os pacientes disseram que suas alucinações começaram antes do diagnóstico e do tratamento com medicamentos dopaminérgicos. E um terço das pessoas com alucinações informou que estes antecederam seus sintomas motores, começando entre 7 meses e 8 anos antes do início.

No total, 21 (42%) dos 50 pacientes com DP no estudo relataram alucinações menores nos 3 meses precedentes, em comparação com apenas 5% de 100 controlos saudáveis ​​de idade semelhante. As pacientes tinham idade média de 68,8 anos e não foram tratados, com uma duração média da doença de 19,5 meses.

A equipe avaliou pacientes e os controles com o item do Unified Disease Rating Scale de Parkinson e Alucinações e Psicose, seguido de uma entrevista semiestruturada para caracterizar melhor as alucinações.

Entre os pacientes com alucinações, 28,6% tinham passagem de alucinações isoladas (passagem fugaz de uma sombra, pessoa, animal ou objeto), 14,3% tinham presença isolada de alucinações e 57,1% tinham ambos. Pacientes com ambos os tipos tinham as mais do que uma vez por semana, enquanto que aqueles com apenas um tipo tinha-as com menos frequência, mas, pelo menos, uma vez por mês.

Sete pacientes também tinham ilusões visuais, dois tiveram ilusões visuais isoladas, dois tiveram alucinações olfativas e um tinha alucinações auditivas.

Nota Kulisevsky et al em presença que a maioria dos estudos anteriores que relatam taxas muito mais baixas de alucinações avaliaram os doentes só para alucinações estruturadas; estes ocorreram em 10% dos pacientes em seu estudo.

As características dos pacientes foram geralmente similares entre aqueles com e sem alucinações, exceto que o distúrbio comportamental do sono REM foi significativamente mais comum no primeiro do que o último, em 38,1% versus 10,3%.

Os investigadores concluem que “estudos epidemiológicos em populações maiores de controles normais e sujeitos em risco de desenvolver DP, continuarao a esclarecer se alucinações menores constituem um marcador pré-motor confiante de DP”. (original em inglês, traduçao Google, revisão Hugo) Fonte: News Medical.

sábado, 27 de junho de 2015

O olho da mente - a chave para controlar alucinações de Parkinson?

26 JUN 2015 - A nossa capacidade de interpretar visualmente o ambiente que nos rodeia é facilmente tida como certa. Mas o que dizer quando começamos a ver as coisas que não estão lá?

A nossa capacidade de interpretar visualmente o ambiente que nos rodeia é facilmente tida como certa. Mas o que dizer quando começamos a ver as coisas que não estão lá, um cenário enfrentado por muitos australianos que vivem com transtornos psiquiátricos?

A descoberta por uma equipe de investigação da UNSW e University of Sydney sobre a forma como os doentes de Parkinson experimentam imagens mentais visuais é fornecer a esperança de que suas alucinações não controladas possam ser tratados.

Os investigadores acreditam que um procedimento de estimulação cerebral, visando as anomalias únicas, identificadas no cérebro de pacientes com Parkinson que vivenciam ambas as alucinações visuais e intensas imagens mentais, poderia tratar com êxito as suas alucinações.

A doença de Parkinson é a segunda doença neurológica mais comum após demência. O custo econômico da doença na Austrália em 2011 foi de 8300 milhões dólares, com 30 australianos agora diagnosticados a cada dia. Não há atualmente nenhuma cura conhecida.

Como a doença de Parkinson progride, a maioria dos pacientes irá experimentar alucinações não controladas, um sintoma debilitante para a qual não há nenhum tratamento corrente.

O psicólogo Dr. Joel Pearson, da UNSW, diz que as alucinações, muitas vezes evocam medo ou temor, onde eles vão ver um parente morto ou uma cobra em uma cama, por exemplo.

"Elas também são um forte indicador de que a doença está progredindo rapidamente," diz o Dr. Pearson.

"O mecanismo neural subjacente preciso a este fenómeno permane um mistério, em grande parte devido às dificuldades inerentes a reproduzir sintomas alucinatórios em um ambiente de pesquisa."

"A relação entre a imagem mental voluntária e alucinações visuais não controlados em pacientes com transtornos psiquiátricos também não foi adequadamente explorado", diz o Dr. Pearson.

Apoiado por quase meio milhão de dólares em financiamento por parte do Conselho de Pesquisa Nacional de Saúde e Medicina, o trabalho da equipe sobre a doença de Parkinson é responder esta questão.

A pesquisa sugere que as alucinações visuais na doença de Parkinson estão relacionados a uma incapacidade de usar a atenção com rapidez e flexibilidade. Os resultados da equipe foram publicadas na revista Proceedings da Royal Society B.

O estudo colaborativo, conduzido pela UNSW equipes universitárias de Sydney no Instituto de Pesquisa Mente Cérebr, mediu alucinações visuais e imagens mentais voluntária em 19 indivíduos. Para fazer isso, os pesquisadores criaram uma nova ferramenta capaz de provocar alucinações visuais, conhecida como Bistable Percept Paradigm.

Os participantes do estudo, incluindo 10 doentes de Parkinson com alucinações visuais, nove sem e 10 que eram controles saudáveis, viram uma série de imagens monocromáticas estáveis ​​e biestáveis ​​e, em seguida, identificaram algum item 'oculto' por eles percebidos.

Os pesquisadores descobriram que pacientes com doença de Parkinson com alucinações visuais eram muito mais propensos a perceber imagens "escondidas" em imagens estáveis. Isto é, pacientes viram algo que não estava lá -a própria definição de uma alucinação.

"Nós descobrimos que este grupo também experimentou mais intensas imagens mentais em comparação com os outros grupos, o que confirmou nossa hipótese", diz o Dr. Pearson.

Os pesquisadores usaram então esta informação para interrogar os padrões de conectividade funcional dentro do cérebro em repouso usando exames de ressonância magnética. Eles identificaram múltiplos defeitos nas redes de controle de atenção de pacientes que tinham experimentado ambas as alucinações visuais e imagens mentais mais fortes.

"Esses dois fenômenos foram distinguidos no nível neural, tanto com imagens mentais e percepções equivocadas visuais associadas com anormalidades específicas na conectividade da rede de atenção", diz o Dr. Pearson.

"Nossos resultados fornecem a primeira evidência de ambas as vias neurais são compartilhados e únicas destes dois fenômenos semelhantes, porém distintas."

As conclusões do estudo serão utilizadas para construir o entendimento da equipe de como as partes visuais do cérebro diferem em pacientes de Parkinson que experimentam alucinações visuais.

Professor Associado em Neurociência Cognitiva da Universidade de Sydney, Simon Lewis, diz que os tratamentos atuais para alucinações não são muito eficazes e isso é em parte por causa da nossa limitada compreensão dos fenômenos.

"A equipe está agora a explorar abordagens não-farmacológicas que podem ser capazes de reduzir alucinações", diz o professor adjunto Lewis.

A equipe vai em breve começar a testar a estimulação do cérebro como um possível tratamento para controlar alucinações visuais, utilizando uma corrente elétrica muito fraca passando pelo cérebro.

"Nós já podemos controlar as imagens visuais em indivíduos saudáveis ​​que utilizam esta mesma tecnologia de estimulação cerebral - por isso estamos otimistas de que as mesmas técnicas possam funcionar para controlar alucinações visuais," diz o Dr. Pearson. (original em inglês, tradução Google, revisão Hugo) Fonte: News Room UNSW.au.

sábado, 20 de junho de 2015

Nova medicação reduz psicose em pacientes com doença de Parkinson

Pimavanserin parece seguro em todos os ensaios de fase III múltipla

2015/06/19 - SAN DIEGO - O tratamento com o remédio sob investigação Pimavanserin reduziu significativamente alucinações e delírios que frequentemente ocorrem em pacientes com doença de Parkinson, os pesquisadores aqui relatam no International Congress of Parkinson's Disease and Movement Disorders.

Na Escala adaptada da doença de Parkinson para a avaliação dos sintomas positivos (SAPS-PD), o tratamento com pimavanserin 40 mg aos 43 dias reduziu os escores de 6,21 pontos da linha de base, em comparação com uma diminuição de 3,34 com placebo (...)

Foram observadas as alterações na SAPS-PD entre os subgrupos: Em pacientes com menos de 75 anos de idade e em pacientes com mais de 75, em homens e em mulheres, e em homens mais velhos e mais jovens e em mulheres mais velhas e mais jovens.

Numa apresentação do cartaz, Pahwa e colegas apresentaram dados agrupados do fármaco em doentes com psicoses, que ocorre em cerca de 30% dos pacientes com doença de Parkinson, como a doença progride. “Cerca de 20% a 25% dos pacientes que apresentam psicoses precisam ser tratados,” disse ao MedPage hoje. Os pesquisadores realizaram uma análise de dois ensaios de fase III para obter seus resultados.

Ele disse que muitas vezes a psicose toma a forma de ver pessoas na sala que lá não estão. “Para algumas pessoas para as quais isso ocorre uma vez por semana ou por isso não é incômodo para eles, mas se ele é incômodo, então eles precisam de tratamento”, explicou Pahwa. "Cerca de 5% dos pacientes têm delírios, mas eles são os pacientes mais difíceis de gerir. Psicose na doença de Parkinson é um fator de risco independente para a colocação em lar de idosos", disse ele.

Ele disse que uma vez que o medicamento seja aprovado, "eu não teria qualquer problema em prescrevê-lo porque agora não temos quaisquer medicamentos aprovados para psicose na doença de Parkinson, de modo que estamos praticamente usando drogas que estão off-label". Ele disse que os drogas agora utilizados são antipsicóticos para pacientes com esquizofrenia, e "todos estes medicamentos têm FDA avisos da caixa preta a respeito do uso em pacientes idosos -. Os pacientes que na maioria das vezes apresentam psicose na doença de Parkinson"

Pahwa também notar que a segurança de pimavanserin é muito semelhante à do placebo. Em geral, cerca de 2,5% dos pacientes experimentaram eventos adversos - 2,3% dos doentes tratados com placebo e 3% dos pacientes pimavanserin, relatou.

Pimavanserin é uma molécula pequena que é um agonista inverso de serotonina seletiva preferencialmente tipo alvo receptores 5-HT2A, que desempenham um papel importante na psicose.

A análise norte-americana agrupada incluiu 133 pacientes que foram designados para o tratamento com placebo e 135 doentes que foram tratados com pimavanserin; mais de 95% dos pacientes completaram o estudo. Cerca de 64% dos sujeitos do estudo eram homens e a média de idade de todos os pacientes foi de cerca de 72 anos.

Para além do objectivo primário de diferença no SAPS-PD, Pahwa e colegas também observaram melhora em cada um dos domínios separados das alucinações e delírios e também sobre as medidas de psicoses secundárias, incluindo as escalas Clinical Global Impression-Improvement (CGI-I) e Clinical Global Impression-Severity (CGI-S). Além disso, pimavanserin teve um impacto significativo sobre o sono noturno, vigília diurna e sobrecarga do cuidador, o que representa potenciais benefícios clinicamente adicionais, disseram os pesquisadores.

Ao comentar sobre os estudos, Neal Hermanowicz, MD, professor e diretor do programa de distúrbios do movimento, da Universidade da Califórnia Irvine, disse ao MedPage Today, “As características cognitivas e psiquiátricas da doença de Parkinson têm sido cada vez mais reconhecidas. Nesses estudos, houve uma redução estatisticamente significativa no SAPS-PD, e que é clinicamente significativo para os pacientes.”

Hermanowicz notar que outras drogas são utilizadas para tratar psicose em doentes de Parkinson, mas “essas drogas possuem uma grande quantidade de bagagem na forma de efeitos secundários.”
Ele disse que enquanto o julgamento foi de curta duração, os pacientes necessitam de tratamento a longo prazo. Ele disse que tem conhecimento de estudos de longo prazo em curso com pimavanserin. “Na minha experiência clínica, depois de tratar esses pacientes e controlar os seus sintomas, se você, em seguida, retirar a medicação, os sintomas retornam”, disse ele. (original em inglês, tradução Google, revisão Hugo) Fonte: MedPage Today.
A 1.a referência a esta droga data de 11/2013. Veja AQUI.