Mostrando postagens com marcador idosos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador idosos. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de agosto de 2018

Em cinco anos, 8,4 mil idosos vítimas

MAUS-TRATOS E APROPRIAÇÃO indébita estão no topo da lista de crimes cometidos contra pessoas com mais de 60 anos no RS.

11/08/2018 - A pele enrugada, a voz pausada e os passos curtos não escondem marcas da idade avançada. Aos 87 anos, uma senhora enfrenta realidade difícil de acreditar. Há duas décadas, perdeu o marido que lhe deixou verdadeira fortuna: oito apartamentos de um mesmo edifício, quatro lojas e uma fazenda de 20 hectares. Por motivos de segurança e privacidade, ZH vai preservar o nome dela.

Apesar da herança milionária, a idosa vive hoje em um pequeno apartamento tomado por mofo nas paredes, na zona norte de Porto Alegre. Alega que foi expulsa pela cuidadora de sua própria casa, um apartamento amplo, com mais de 100 metros quadrados, de dois quartos. Na última terça-feira, a vítima procurou a Delegacia de Proteção ao Idoso e denunciou o caso. Trêmula e nervosa, contou à reportagem que foi obrigada a ir a um cartório, assinar documentos e passar um apartamento para a cuidadora. O filho dela mora no mesmo prédio, mas já a teria agredido e ambos não têm contato. Sem ter a quem recorrer, viu seus bens se esvaindo, um a um. Um advogado que a defendeu em dois processos de venda de imóveis classifica a situação como "um grande puxão de tapete" contra sua cliente.

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), obtidos por ZH via Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram que a apropriação indébita de bens é o segundo crime mais recorrente contra idosos. Entre 2013 a 2017, foram 1.219 ocorrências em todo o Estado (leia ao lado). Este tipo de crime só perde para registros de maus-tratos. Em cinco anos, foram 2.625 casos. Somados todos os tipos de delitos contra pessoas com mais de 60 anos foram mais de 8,4 mil registros nos últimos cinco anos.

Apesar dos números, a titular da delegacia do idoso em Porto Alegre, Larissa Fajardo, alerta que muitos casos não são registrados, situação conhecida por subnotificação. A explicação pode estar relacionada ao próprio perfil de quem comete crimes contra idosos: normalmente familiares próximos, como filhos, e cuidadores.

- O idoso dificilmente aceita ser vítima da violência, principalmente praticada pelos filhos porque criou com todo amor e carinho. O idoso sempre acha que ele é, de certa forma, responsável pelo filho agressor. Normalmente, denuncia crime patrimonial, empréstimo consignado. Outras denúncias, principalmente de negligência, não denuncia - diz a delegada.

FILHA AGRIDE PAIS NA ZONA SUL DE PORTO ALEGRE

Na Delegacia do Idoso, ao lado da senhora de 87 anos, um idoso de 64 reclamava das agressões da filha de 21 contra a mulher dele, de 59. Ela teve lesões no rosto e no braço e precisou ser hospitalizada. Não foi o primeiro caso de violência contra eles, que moram na zona sul da Capital. Cansado da situação, o homem decidiu registrar ocorrência, pela primeira vez em anos.

- Ela estava fora de casa havia uma semana. Chegou e começou a gritar: "Vocês têm de ir embora, quem manda aqui sou eu" - conta o bancário aposentado.

Filha única, a jovem já foi internada quatro vezes por dependência química. Na última vez, ficou três meses em tratamento.

A delegada Larissa complementa que as vítimas sentem, inclusive, culpa por serem alvo de violência:

- Quem denuncia é o familiar ou um vizinho, alguém que faz denúncia anônima. O idoso tem dificuldade, sente culpa pela agressão. Fonte: Zero Hora de 11/08/2018, edição disponível a assinantes.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Idosos(*)

por Marilim Capitanini

Não somos preparados para ver como apaga-se a vela das pessoas que amamos, pais, avós, tios, sogros, esposo, esposa, filhos, e amigos queridos. Principalmente nossos avós, nossos pais, que nos deram a vida e nos amaram incondicionalmente.

Ver como seus olhos vão perdendo o brilho, alheios ao que os rodeia, o olhar divagando pelos cantos do subconsciente.

É difícil ver essas pessoas tornando-se pequenas e frágeis dessa maneira.

Não há palavras para descrever esse sentimento.

É triste vê-los na situação de saúde mental reduzida, da demência senil, alzheimer, derrame, estado vegetativo, depressão profunda, esquizofrenia ou outro mal semelhante.

Nenhum hospital consegue tomar conta como nós mesmos e, de repente, temos que ser enfermeiros e cuidadores...

Que desolador ver os que deram tudo por você e por sua família um dia perguntem quem é você... não por esquecimento ou descuido voluntário, mas por deterioração mental.

Difícil compreender que pouco a pouco vão perder capacidades e mobilidade, até os problemas mais graves.

O sistema público de saúde pouco ou nada faz.

Assim, comumente eles exigem todo o seu tempo de forma exclusiva.

Tenha calma. Tenha paciência. Eles não têm culpa de terem ficado assim.

Apenas faça a sua parte, da melhor forma que puder.

Nunca saberemos a quem essas doenças podem tocar, até que nos toquem um dia. Ou a um dos nossos amados ou a nós mesmos.

Se Deus nos permitir, seremos mais velhos um dia e roguemos ao Pai que não cheguemos situação semelhante, desamparados, desassistidos, solitários, sem carinho, atenção e amor.

A falta de saúde mental não é fraqueza, é doença.

E mais, cuide dos seus como gostaria que fosse cuidado por eles.
Lembre que amanhã pode ser você.

Ame aquele que o amou no passado e faça tudo que estiver ao seu alcance. Seja pai de seus pais, companheiro de sua companheira, seja carinhoso, esteja presente e esteja sempre presente.
(*) postagem com título inventado