..., porque fiquei como os putos a descobrir o rato mickey diante dos olhos e o rato mickey, o senhor sabe, não existe. os ratos não falam. isto não existe. ele levantou-se para me acompanhar à porta, eu que já estava de pé e quase saindo, e respondeu-me, muito do que não existe é do mais importante da vida, não despreze nada, senhor silva, agarre-se a uma fantasia se for boa, que a realidade é bem feita desses momentos mais espertos de lhe fugirmos de vez em quando...
In "a máquina de fazer espanhóis", pág 191/2, 2a edição.
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quarta-feira, 25 de abril de 2018
domingo, 18 de março de 2018
a máquina de fazer espanhóis
domingo, 18/3/2018 - Me desculpem a intromissão, pois este post não relaciona-se especificamente ao parkinson, entretanto o fato abordado, leitura de um livro, e seu conteúdo o qual considero ter tudo a ver com o envelhecimento, inexorável a qualquer um de nós, isto se o leitor não tiver o parkinson muito avançado que dificulte a leitura.
Não costumo postar minhas questões pessoais com a doença, pois as considero em geral além de tristes, piegas e enfadonhas, mas como mantenho este blog há muitos anos, decidi usá-lo, também, para a questão pessoal, cuja leitura pode ser adequada para muitos que tem parkinson, enfim, ousei, fora do meu perfil, e saí da zona dita de conforto. Afinal Parkinson é uma sinucleinopatia auto imune.
O fato é que estou
lendo um livro. Chama-se a máquina de
fazer espanhóis. É de um português angolano chamado
Valter Hugo Mãe. Trata-se de uma leitura desafiadora, ante a inexistência de hierarquia gráfica (não são utilizadas maiúsculas). Mas considero importante destacar um trecho:
“… o
nosso inimigo é o corpo. porque o corpo é que nos ataca. estamos
finalmente perante o mais terrível dos animais, o nosso próprio
bicho, bicho que somos. que decide que é chegado o momento de
começar a desligar-nos os sentidos e decide como e quando devemos
padecer de que tipo de dor ou loucura. (§2 pag 139).
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