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quinta-feira, 11 de abril de 2019
quarta-feira, 3 de abril de 2019
Terapia de estimulação elétrica está a ajudar centenas em Portugal
Tecnologia permite reduzir os tremores e tem uma taxa de sucesso acima dos 60%. No entanto, desde o ano passado que mais de 500 doentes não estão a ser tratados, devido a circunstâncias como a greve cirúrgica dos enfermeiros ou a falta de anestesistas
O neurocirurgião António Gonçalves Ferreira, do Hospital de Santa Maria, afirmou aos jornalistas, à margem do encontro, que "a taxa de sucesso é variável, mas situa-se acima dos 60%" nos casos de pessoas que sofrem da doença degenerativa do cérebro.
Circunstâncias como a greve cirúrgica dos enfermeiros e "a falta de anestesistas" significam que desde o ano passado que não são colocados os elétrodos no cérebro necessários para aplicar a terapia.
Os doentes recebem os elétrodos através de cirurgias planeadas - "habitualmente, três por semana" -, e o facto de não serem cirurgias urgentes faz com que sejam remetidas para segundo plano. Fonte: TVI24.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Portugal libera consumo de maconha medicinal a partir desta 6ª
| Consumo medicinal de maconha foi liberado em Portugal Nir Elias/Reuters - 21.3.2017 |
O consumo de maconha medicinal se tornou legal em Portugal a partir desta sexta-feira (1º), quando entraram em vigor as regras que determinam como a planta deve ser produzida, distribuída e vendida nas farmácias do país, que exigirão em todos os casos receita médica.
A norma que legaliza o consumo medicinal desta planta foi aprovada no Parlamento em junho, mas carecia da regulamentação precisa para seu funcionamento, que foi aprovada em janeiro e entra agora em vigor.
Assim, a partir desta sexta, estão claras as normas tanto para eventuais consumidores como para as empresas que decidam comercializar estes produtos, sempre com prévia autorização da Autoridade Nacional de Remédios e Produtos de Saúde (Infarmed).
A Infarmed também lançou uma seção especial dentro da seu site na qual explica as implicações da lei que regula o consumo de cannabis medicinal, que será vendida em farmácias mediante uma receita médica.
O Estado português controlará todo o processo, "desde o cultivo da planta à preparação e distribuição", ressaltou a Infarmed, para "garantir que os produtos sejam produzidos de acordo com todas as boas práticas e requisitos aplicáveis" pela lei.
O governo busca assim assegurar que o acesso à planta fique restrito "a casos nos quais os tratamentos convencionais não produziram os efeitos esperados ou provocaram efeitos adversos relevantes", acrescentou a organização.
A aprovação da lei em junho contou com o voto favorável de todos os partidos do plenário, salvo o democrata-cristão CDS-PP, que se absteve.
Em janeiro, o Parlamento português rejeitou duas propostas que buscavam legalizar a maconha para uso recreativo e que contavam com o apoio de dois partidos de esquerda e um grupo de deputados socialistas.
Um do pontos mais polêmicos da iniciativa era a possibilidade de autocultivo, com um limite de seis plantas.
Portugal despenalizou a posse de maconha para consumo individual em 2001.
Pelo menos meio milhão de portugueses (de uma população de 10,3 milhões) consomem maconha regularmente e um de cada dez a provou pelo menos uma vez, segundo o último relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) luso. Copyright Efe - Todos os direitos de reprodução e representação são reservados para a Agência Efe. Fonte: Notícias R7.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
sábado, 13 de outubro de 2018
Infarmed pede a farmácias que doseiem medicamento para o Parkinson / Portugal
qui, 13 set -
Medicamento "Sinemet" está com ruptura de stock em 45
países, incluindo Portugal. Assista Aqui. Fonte:
TVI24.pt.
Enigmática
esta falta de Sinemet em 45 países da Europa e do mundo, para
mim uma guerra comercial. Diferentemente do
Brasil, me parece que o medicamento “sinônimo” de levodopa em
Portugal é o Sinemet, e pelo visto a Merck Sharp & Dohme tá
querendo aumentar o preço e com isso abrindo uma brecha para a Roche
avançar com o Madopar. Tenho muita
curiosidade de ver no que vai dar esta
guerra comercial, pois teoricamente a
Europa teria meios de coibir o “dumping” e outras práticas
comerciais que não agridam o mercado de forma a propor um aumento
excerbado dos preços. Aqui se digladiarão, pelo mercado da Europa,
só menor do que a China e os EUA, os laboratórios Merck,
Sharp & Dohme fabricante do Sinemet e o laboratório Roche
fabricante do Madopar, remédios cruciais
para o tratamento do Parkinson.
terça-feira, 22 de maio de 2018
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Ordem dos Médicos em Portugal aprova uso de canábis para fins terapêuticos
A OM emitiu um parecer no qual reconhece "evidência" da eficácia da canábis nalguns usos terapêuticos. “Espero que o resultado seja a aprovação de medicamentos a partir de canábis”, disse também o diretor do SICAD, João Goulão. A legalização da canábis medicinal vai a votos no parlamento, esta quinta-feira.
“Espero que o resultado seja a aprovação de medicamentos a partir de canábis”, afirmou o diretor do SICAD, João Goulão, referindo-se ao que está em causa no debate parlamentar desta quinta-feira.
Por iniciativa do Bloco de Esquerda, a Assembleia da República discutirá e votará esta quinta-feira a legalização da canábis medicinal. A par do projecto de lei bloquista (link is external), que “regula a utilização da planta, substâncias e preparações de canábis para fins medicinais”, será também debatida uma iniciativa similar, então entregue pelo PAN.
Segundo a Lusa, sabe-se que, para além dos votos favoráveis do Bloco e do PAN, o PS dará liberdade de voto aos seus deputado e PSD e CDS votarão contra. O PCP propõe antes que se estude a questão, num projeto de resolução, não tendo ainda anunciado o seu sentido de voto sobre os projetos de lei em causa.
Ordem dos Médicos disponível para que a canábis seja usada “como medicamento”
Foi agora divulgado um parecer do Conselho Nacional da Política do Medicamento da Ordem dos Médicos (OM), elaborado a pedido do bastonário, Miguel Guimarães, no qual é dito que a evidência atual “permite considerar a potencial utilização [da canábis]” nalguns casos, como no alívio da dor crónica em adultos, como anti-vómito no tratamento do cancro, na esclerose múltipla ou no controlo da ansiedade.
Existe ainda moderada evidência sobre o uso de canábis na melhoria do sono em pessoas com apneia obstrutiva do sono, fibromialgia, anorexia por cancro e stress pós-traumático. Porém, o parecer recorda que não existe ainda qualquer evidência que permita verificar eficácia da canábis no tratamento do cancro, sintomas de intestino irritável, epilepsia, esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson ou esquizofrenia, apesar dos estudos desenvolvidos nestas áreas.
Profissionais de saúde e doentes apelam à legalização da canábis para fins terapêuticos
Jorge Sampaio defende legalização da canábis para fins terapêuticos
O parecer, citado pela Lusa, indica que o uso de canábis, ou dos seus derivados, como medicamento de uso humano, “deve ser sujeito a aprovação pelas entidades regulamentares em saúde”, como a Autoridade Nacional ou Europeia do Medicamento, e que a sua prescrição deve ser exclusivamente médica e com regulamentação específica, como é feito com os derivados de morfina, por exemplo.
O parecer aponta ainda para desafios concretos no uso de canábis para fins terapêuticos, sobretudo em relação ao consumo direto da planta de canábis, lembrando que “nenhum país europeu autoriza atualmente a canábis fumada para fins médicos”, lê-se nas recomendações do documento homologado pela maioria dos membros do Conselho Nacional Executivo da Ordem.
À Lusa, o bastonário afirmou que este parecer mostra que a Ordem está disponível para que a canábis seja usada “como medicamento”, mas reiterou que “seria um risco” avançar para a aprovação da canábis fumada “porque não está suficientemente estudada em termos científicos”, sublinhando ainda que esta é antes uma oportunidade para se promover a investigação científica nesta área.
“Espero que o resultado seja a aprovação de medicamentos a partir de canábis”
Numa entrevista à Sic Notícias, esta quarta-feira, o diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, lembrou que em Portugal já se produz canábis para fins terapêuticos, embora apenas para exportação.
“Espero que o resultado seja a aprovação de medicamentos a partir de canábis”, afirmou João Goulão, referindo-se ao que está em causa no debate parlamentar desta quinta-feira. “Trata-se de aprovar um medicamento com indicações clínicas restritas, regras claras e rigorosas”, tal como acontece com qualquer outro medicamento, explicou.
OMS reconhece eficácia da canábis medicinal
Para Goulão, o uso recreativo e o autocultivo são outras questões “que devem ser debatidas separadamente”. Sobre se a canábis fumada poderá ser incluída nos usos terapêuticos, o diretor do SICAD defendeu que não tem “nenhum resistência” quanto a essa questão, sublinhando antes a necessidade de “haver o mesmo controlo e garantia da qualidade do produto” que é colocado à disposição do doente, tal como para qualquer outro medicamento. Fonte: Esquerda.
Ordem dos Médicos só aceita prescrição de canábis como medicamento
11/01/2017 - A Ordem dos Médicos reconhece que existe forte evidência da eficácia da canábis nalguns usos terapêuticos, mas avisa que a sua prescrição deve ser exclusivamente médica, enquanto medicamento e não na forma fumada.
O parlamento debate esta quinta-feira a legalização da canábis em contexto medicinal, com o BE e o PAN a defenderem a medida, o PS a dar liberdade de voto aos deputados e o PSD e CDS a votarem contra.
O PCP pede que se estude a questão, num projeto de resolução, e o seu sentido de voto pode ser decisivo aprovar a medida.
Num parecer do Conselho Nacional da Política do Medicamento da Ordem dos Médicos, elaborado a pedido do bastonário, é dito que a evidência atual “permite considerar a potencial utilização [da canábis]” nalguns casos, como no alívio da dor crónica em adultos, como anti-vómito no tratamento do cancro, na esclerose múltipla ou no controlo da ansiedade.
Contudo, o parecer, a que a Lusa teve acesso, indica que o uso de canábis ou canabinoides como medicamento de uso humano deve ser sujeita a aprovação pelas entidades regulamentares em saúde”, como a Autoridade Nacional ou Europeia do Medicamento.
Além disso, a Ordem dos Médicos avisa que, pela sua potencial toxicidade, a prescrição da canábis deve ser exclusivamente médica e com regulamentação específica, como é feito com os derivados de morfina, por exemplo.
“O uso direto da planta de canábis ou seus derivados com fins medicinais envolve desafios particulares. A sua eventual permissão deve ser alvo de reflexão ponderada e multidisciplinar, integrando as questões legais da sua produção, comercialização, controlo de qualidade, do benefício/risco terapêutico em cada condição clínica”, lê-se nas recomendações do parecer, que foi homologado pela maioria dos membros do Conselho Nacional Executivo da Ordem, segundo disse à Lusa o bastonário, Miguel Guimarães.
O parecer aponta para desafios concretos no uso de canábis para fins terapêuticos, sobretudo em relação ao consumo direto da planta de canábis, lembrando que “nenhum país europeu autoriza atualmente a canábis fumada para fins médicos”.
Para o bastonário dos Médicos, este parecer mostra que a Ordem está disponível para que a canábis seja usada “como medicamento” nas situações em que há evidência científica.
“Considera-se que neste momento, a avançar, será como medicamento e não como erva para ser fumada”, afirmou Miguel Guimarães à Lusa, entendendo que a canábis fumada devia ficar para já de fora de uma aprovação parlamentar, tendo em conta que hoje são votados projetos de lei do Bloco de Esquerda e do PAN sobre uso de canábis para efeitos terapêuticos.
O bastonário afirma mesmo que “seria um risco” avançar para a aprovação da canábis fumada “porque não está suficientemente estudada em termos científicos”.
Aliás, o responsável entende que esta é uma oportunidade para se promover a investigação científica nesta área.
Segundo o parecer homologado pela Ordem, as eventuais alterações legais que possam facilitar o uso direto de canábis para fins medicinais não devem negligenciar os potenciais riscos de saúde publica, incluindo o abuso na sua utilização como droga recreativa”.
Sobre a segurança do uso da canábis, o parecer aponta para uma associação entre o seu consumo e o desenvolvimento de dependência, esquizofrenia e outras psicoses, bem como agravamento de dificuldade respiratória.
Quanto à eficácia da canábis no uso clínico, a Ordem considera que existe forte evidência no tratamento da dor crónica, como anti-emético associado ao tratamento oncológico (anti-vómito), no auxílio do tratamento da esclerose múltipla e no controlo da ansiedade.
Existe ainda moderada evidência sobre o uso de canábis na melhoria do sono em pessoas com apneia obstrutiva do sono, fibromialgia, anorexia por cancro e stress pós-traumático.
O parecer recorda que não existe contudo ainda qualquer evidência que permita verificar eficácia da canábis no tratamento do cancro, sintomas de intestino irritável, epilepsia, esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson ou esquizofrenia, apesar dos estudos desenvolvidos nestas áreas. Fonte: O Minho.
O parlamento debate esta quinta-feira a legalização da canábis em contexto medicinal, com o BE e o PAN a defenderem a medida, o PS a dar liberdade de voto aos deputados e o PSD e CDS a votarem contra.
O PCP pede que se estude a questão, num projeto de resolução, e o seu sentido de voto pode ser decisivo aprovar a medida.
Num parecer do Conselho Nacional da Política do Medicamento da Ordem dos Médicos, elaborado a pedido do bastonário, é dito que a evidência atual “permite considerar a potencial utilização [da canábis]” nalguns casos, como no alívio da dor crónica em adultos, como anti-vómito no tratamento do cancro, na esclerose múltipla ou no controlo da ansiedade.
Contudo, o parecer, a que a Lusa teve acesso, indica que o uso de canábis ou canabinoides como medicamento de uso humano deve ser sujeita a aprovação pelas entidades regulamentares em saúde”, como a Autoridade Nacional ou Europeia do Medicamento.
Além disso, a Ordem dos Médicos avisa que, pela sua potencial toxicidade, a prescrição da canábis deve ser exclusivamente médica e com regulamentação específica, como é feito com os derivados de morfina, por exemplo.
“O uso direto da planta de canábis ou seus derivados com fins medicinais envolve desafios particulares. A sua eventual permissão deve ser alvo de reflexão ponderada e multidisciplinar, integrando as questões legais da sua produção, comercialização, controlo de qualidade, do benefício/risco terapêutico em cada condição clínica”, lê-se nas recomendações do parecer, que foi homologado pela maioria dos membros do Conselho Nacional Executivo da Ordem, segundo disse à Lusa o bastonário, Miguel Guimarães.
O parecer aponta para desafios concretos no uso de canábis para fins terapêuticos, sobretudo em relação ao consumo direto da planta de canábis, lembrando que “nenhum país europeu autoriza atualmente a canábis fumada para fins médicos”.
Para o bastonário dos Médicos, este parecer mostra que a Ordem está disponível para que a canábis seja usada “como medicamento” nas situações em que há evidência científica.
“Considera-se que neste momento, a avançar, será como medicamento e não como erva para ser fumada”, afirmou Miguel Guimarães à Lusa, entendendo que a canábis fumada devia ficar para já de fora de uma aprovação parlamentar, tendo em conta que hoje são votados projetos de lei do Bloco de Esquerda e do PAN sobre uso de canábis para efeitos terapêuticos.
O bastonário afirma mesmo que “seria um risco” avançar para a aprovação da canábis fumada “porque não está suficientemente estudada em termos científicos”.
Aliás, o responsável entende que esta é uma oportunidade para se promover a investigação científica nesta área.
Segundo o parecer homologado pela Ordem, as eventuais alterações legais que possam facilitar o uso direto de canábis para fins medicinais não devem negligenciar os potenciais riscos de saúde publica, incluindo o abuso na sua utilização como droga recreativa”.
Sobre a segurança do uso da canábis, o parecer aponta para uma associação entre o seu consumo e o desenvolvimento de dependência, esquizofrenia e outras psicoses, bem como agravamento de dificuldade respiratória.
Quanto à eficácia da canábis no uso clínico, a Ordem considera que existe forte evidência no tratamento da dor crónica, como anti-emético associado ao tratamento oncológico (anti-vómito), no auxílio do tratamento da esclerose múltipla e no controlo da ansiedade.
Existe ainda moderada evidência sobre o uso de canábis na melhoria do sono em pessoas com apneia obstrutiva do sono, fibromialgia, anorexia por cancro e stress pós-traumático.
O parecer recorda que não existe contudo ainda qualquer evidência que permita verificar eficácia da canábis no tratamento do cancro, sintomas de intestino irritável, epilepsia, esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson ou esquizofrenia, apesar dos estudos desenvolvidos nestas áreas. Fonte: O Minho.
É muito blá, blá, blá, e enquanto isso milhões de pessoas com parkinson, ficam sofrendo à espera de tratamentos mais eficazes. É claro, a medicina não explica tudo, mas maconha deveria ser aplicada caso a caso, num processo de tentativa e erro, monitorada clinicamente.
domingo, 26 de novembro de 2017
“Porque o Parkinson não é o fim” foi o mote para caminhada que juntou 500 participantes em Braga
26 de Novembro de 2017 / Cerca de 500 pessoas uniram-se, esta manhã, na Caminhada contra o Parkinson, em Braga, uma iniciativa da delegação regional de Braga da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, liderada pelo vilaverdense Álvaro Oliveira, de Barbudo.
«Fiquei particularmente sensibilizado pela adesão de muitos jovens e pelo facto de ninguém se mostrar indiferente à causa», refere o promotor e principal dinamizador. Álvaro Oliveira sublinha que «ficou, desta forma, bem vincada a nossa mensagem de sensibilização: esta é a doença que não é dos velhos, é de todos!».
“Porque o Parkinson não é o fim” foi o mote desta iniciativa, que decorreu na Avenida Central, em Braga.
A caminhada contou com o apoio logístico da Câmara Municipal de Braga e de várias empresas do concelho de Vila Verde. Fonte: O Vilaverdense.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Portugal é o quarto país da OCDE com mais casos de demência
10.11.2017 -
Portugal é o quarto país da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico (OCDE) com mais casos de demência, com
19,9 casos por mil habitantes, um valor superior à média dos 35
países avaliados.
A conclusão consta
do relatório "Health at a Glance 2017" ("Uma visão
da saúde") da OCDE, que será hoje apresentado em Paris, e que
apresenta os principais indicadores da saúde dos 35 países da
organização em 2015 e 2016.
Sobre o estado da
saúde dos portugueses, o documento refere que Portugal está dentro
da média dos países da OCDE ao nível da expetativa de vida (78,1
anos para os homens e 84,3 anos para as mulheres) e da mortalidade
por doença isquémica cardíaca (ataque cardíaco e angina de
peito).
Contudo, apresenta
piores valores ao nível da prevalência da demência que é de 19,9
casos por mil habitantes, quando a média na OCDE é de 14,8 por mil
habitantes.
Segundo este
ranking, Portugal é o quarto país com mais casos de demência por
mil habitantes, só superado pelo Japão (23,3), Itália (22,5) e
Alemanha (20,2). O México é o país com menos casos: 7,2.
DEPRESSÃO AFETA
MAIS AS MULHERES
O documento
apresenta as mulheres como as mais afetadas pela depressão, doença
que afeta "milhões de pessoas".
Na Espanha,
Lituânia, Hungria e Polónia, as mulheres são atingidas por esta
doença em mais 50% do que os homens, uma percentagem que sobe para
os 66% em Portugal.
Os autores referem
que as doenças mentais representam a mais considerável - e
crescente - proporção na carga global de doenças, estimando-se que
uma em duas pessoas vai ter uma doença mental na sua vida.
Para 2037, a
prevalência da demência deverá aumentar para os 32,5 por mil
habitantes.
Em relação aos
fatores de risco para a saúde, Portugal está dentro da média dos
países da OCDE em todos os indicadores: percentagem da população
que fuma diariamente (16,8%), litros de bebidas alcoólicas
consumidas por ano (9,9), obesidade (16,6%) e poluição atmosférica.
ELEVADA TAXA DE
CESARIANAS EM PORTUGAL
Da análise à
qualidade dos cuidados, o relatório concluiu que Portugal apresenta
dois indicadores com valores superiores aos da média dos países da
OCDE: as admissões hospitalares por asma e Doença Pulmonar
Obstrutiva Crónica (74) e trauma obstétrico (2,5 por cem partos
vaginais).
Dos 21 países com
dados comparados, o trauma obstétrico - o melhor indicador para
avaliar a segurança do doente - é mais elevado no Canadá, seguido
da Suécia, Dinamarca e Estados Unidos.
Pelo contrário, o
trauma obstétrico é consideravelmente mais baixo na Polónia,
Israel, Itália, Eslovénia e Portugal.
Em Portugal, a taxa
de cesariana é de 32,3 por cem nascimentos vivos, acima da média da
OCDE (27,9).
CANCRO E DIABETES
O cancro é a
segunda doença mais mortal na OCDE, a seguir às doenças
circulatórias, registando 25% de todas as mortes em 2015 (15% em
1960).
A mortalidade
provocada pelo cancro é mais elevada nos homens do que nas mulheres
em todos os países, mas este intervalo de género é particularmente
alto na Coreia, Turquia, Letónia, Estónia, Espanha e Portugal.
Este intervalo pode
ser particularmente explicado pela maior prevalência de fatores de
risco nos homens, nomeadamente o tabaco.
Outra doença que
mereceu a atenção dos autores do estudo foi a diabetes. Nos países
da OCDE, 93 milhões de pessoas (7% de todos os adultos) eram
diabéticos em 2015. Em Portugal, 9,9% dos adultos têm diabetes.
Ao nível dos
medicamentos, o consumo de antidepressivos varia consoante os países.
A Islândia regista o mais elevado nível de consumo destes fármacos
(o dobro da média da OCDE), seguida pela Austrália, Portugal e o
Reino Unido.
A Letónia, Coreia e
Estónia registaram o mais baixo nível de consumo de
antidepressivos. Fonte: SIC Notícias.
sábado, 14 de outubro de 2017
Manual para pessoas com Parkinson
Um manual elaborado pela APDPk que contou com a supervisão do Dr. Miguel Gago Consulte aqui.
Atenção: este manual é disponibilizado de graça na internet, faça o link onde indicado acima.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
NOVO MEDICAMENTO DA BIAL PARA O PARKINSON LANÇADO EM ESPANHA
O Ongentys reduz o chamado período OFF em doentes de Parkinson, que se caracteriza pelo reaparecimento de sintomas. Lançamento em Portugal só no final deste ano ou em 2018.
2017-07-07 - A Bial já iniciou a comercialização em Espanha do seu novo medicamento para a Doença de Parkinson. O Ongentys foi aprovado pela Comissão Europeia em junho de 2016, e está indicado como terapêutica para adultos com Doença de Parkinson.
Espanha é assim o terceiro país onde este novo medicamento está disponível, depois da Alemanha e do Reino Unido onde foi lançado no final de 2016.
Estima-se que a doença de Parkinson afete cerca de 1,2 milhões de pessoas na Europa, 150.000 das quais em Espanha, segundo a Federação Espanhola de Parkinson.
Este medicamento, apesar de ter sido desenvolvido em Portugal ainda não está disponível para os doentes nacionais, estimando a empresa que esteja no mercado no final deste ano ou no início do 2018, dependendo da aprovação do Infarmed.
“Estamos muito satisfeitos por poder disponibilizar Ongentys em Espanha, mercado onde estamos presentes há quase 20 anos, e que é prioritário no nosso programa de internacionalização. O Ongentys é o reflexo do nosso compromisso com a investigação na área neurológica. É sempre motivo de enorme orgulho sermos capazes de levar medicamentos da nossa investigação a novos mercados e assim contribuir para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.”, assinalou António Portela, CEO da Bial, em comunicado.
De acordo com Javier Pagonabarraga, coordenador do Grupo de Estudo das Doenças do Movimento da Sociedade Espanhola de Neurologia , “apesar de dispormos de um conjunto de medicamentos para tratar os sintomas da doença, continua a haver um grande número de pacientes com flutuações motoras muito difíceis de controlar, não permitindo que permaneçam estáveis. Na nossa experiência durante os ensaios clínicos, o opicapona demonstrou ser eficaz no tratamento das flutuações motoras e assistimos a melhorias praticamente absolutas do tempo OFF em pacientes não controlados com outros fármacos".
Este é o segundo medicamento de investigação da Bial, tendo sido aprovado em junho de 2016 pela Comissão Europeia, com base na aprovação da Agência Europeia do Medicamento (EMA).
Em Espanha, a Bial conta com uma equipa de cerca de 170 colaboradores e comercializa uma gama de produtos centrada na neurologia, medicina interna, cardiologia e saúde da mulher. Com um volume de faturação de 60 milhões de euros com medicamentos em 2016, o mercado espanhol é prioritário no programa de internacionalização da empresa.
O que é a Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, crónica e progressiva. A evidência epidemiológica aponta para uma interação complexa entre a vulnerabilidade genética e fatores ambientais. Os sintomas clínicos da doença surgem habitualmente depois dos 50 anos (idade média de diagnóstico da patologia é aos 60 anos).
A prevalência da doença está estimada em 300 por 100.000 habitantes, aumentando para 1 por 100 na faixa etária entre os 55 e os 60 anos. O diagnóstico da Doença de Parkinson é baseado na observação clínica e pode ser realizado em pacientes que apresentam dois de três sintomas motores principais ou cardinais: tremor em repouso, rigidez muscular e bradicinesia. O tremor está presente em 85% dos pacientes com Doença de Parkinson. Outros sintomas frequentes são dificuldades de equilíbrio, postura e coordenação e instabilidade postural. Fonte: Fleed.
sábado, 3 de dezembro de 2016
Doentes de Parkinson «são, muitas vezes, terra de ninguém» / Portugal
Claramente, o SNS (Serviço Nacional de Saúde) não está preparado para tratar a doença de Parkinson. Esta era a pergunta que se colocava e as respostas revelaram uma distribuição assimétrica dos neurologistas, que as zonas com mais idosos é onde não existem médicos, um acesso aos fármacos heterogéneo, que não há acesso a algumas das estratégias terapêuticas mais inovadoras e que os doentes nem sempre são referenciados para fisioterapia, sendo, «muitas vezes, terra de ninguém».
Na mesa-redonda que encerrou o Congresso de Neurologia 2016, no passado dia 26, em Lisboa, o objetivo era responder ao tema «Está o SNS preparado para tratar a doença de Parkinson?». Joaquim Ferreira, neurologista e diretor do Campus Neurológico Sénior do Laboratório de Farmácia Clínica e Terapêutica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, moderou a sessão, tendo começado por dizer que «faz todo o sentido discutir esta questão porque estamos num momento de crise ou de viragem em vários domínios e vamos ter que lidar com várias mudanças».
A primeira delas, segundo o moderador, «é o número de doentes que nas próximas décadas vai aumentar porque a estrutura demográfica está a mudar e, como tal, vamos ter mais pessoas com 65 anos, 70, 80 e 85 anos».
Uma segunda razão pela qual faz sentido discutir a situação atual e futura da doença de Parkinson é o fenótipo dos doentes, que, de acordo com Joaquim Ferreira, «também está a mudar»: «Hoje em dia, os doentes ficam bem do ponto de vista motor quando são operados, contudo falamos de um corpo bom num cérebro deteriorado do ponto de vista cognitivo.
Ou seja, cada vez tratamos melhor os pacientes, o que leva a que tenhamos cada vez mais doentes em estadios avançados», concretizou o orador.
Em suma, «no futuro vamos ter mais doentes e mais doentes a chegar a estadios IV e V, não avançados, mas sim tardios, com perda de autonomia, e também não terminais. Ou seja, pessoas com alterações psiquiátricas, dementes e dependentes ou institucionalizadas».
Por outro lado, «o padrão de como a doença se manifesta está a mudar e vai-se alterar ainda mais.
E, em paralelo, também a evidência do modelo que suporta a intervenção está-se a transformar», considera o neurologista. «Estamos habituados a lidar com o doente na consulta, fazemos intervenção farmacológica e o doente volta para casa, mas cada vez mais este modelo deixa de fazer sentido».
Aliás, de acordo com Joaquim Ferreira, «é fácil de perceber o quanto absurdo é escrever uma carta ao médico de família para passar dez sessões de fisioterapia por ano, numa fase em que sabemos que a fisioterapia específica para tratar a doença ou o exercício como intervenção terapêutica é eficaz para tratar problemas que não têm uma resposta farmacológica visível e que as intervenções têm um modelo que deve ser continuado no tempo».
«No futuro vamos ter mais doentes e mais doentes a chegar a estadios IV e V, não avançados, mas sim tardios, com perda de autonomia, e também não terminais. Ou seja, pessoas com alterações psiquiátricas, dementes e dependentes ou institucionalizadas», alertou Joaquim Ferreira
Na sua opinião, «passar uma quantidade de sessões de fisioterapia por ano não faz sentido e nós aceitamos isso como uma inevitabilidade».
Dissociação entre a abordagem terapêutica necessária e a que é feita na prática
Em síntese, para o especialista, «há cada vez mais uma dissociação entre aquilo que seria o padrão para uma abordagem terapêutica deste tipo de doentes e aquilo que na prática estamos a fazer».
Os exemplos dados são inúmeros, entre os quais «a simples questão de assumirmos que os doentes de Parkinson têm um risco aumentado de ter lesões cutâneas e melanoma e que devem ter uma avaliação dermatológica anual».
Como tal, «a questão que se coloca é se estamos a incorporar toda esta multidisciplinaridade e interdisciplinaridade na nossa prática», concluiu Joaquim Ferreira, salientando que esta foi, aliás, a razão deste desafio e que o levou a querer ouvir a opinião do painel de especialistas convidados. A pergunta à qual tinham de responder era se consideram se «estão ou não a fazer o que é suposto?»
Estão os vários protagonistas a fazer o que é suposto para tratar os doentes de Parkinson?
Esta foi a pergunta colocada aos vários especialistas convidados e que representam os vários setores. Ficam as opiniões de representantes dos médicos, dos hospitais, dos doentes, bem como a situação atual relativa ao acesso às terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas.
--Os médicos
«É precisamente nas zonas com mais idosos que temos menos ou nenhum neurologista»
Miguel Gago (neurologista e presidente da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento)
«Embora existam desafios e limitações, os médicos estão a fazer o que é suposto na doença de Parkinson. O principal desafio, do ponto de vista da prática clínica, é a distribuição geográfica assimétrica dos especialistas. Existem imensos neurologistas na região de Lisboa, Porto e Coimbra e, depois, nos outros distritos 1 ou mesmo 0 neurologistas, como é o caso de Évora, Castelo Branco e Santarém.
Este fenómeno está relacionado com a proximidade dos centros hospitalares universitários, mas a principal razão é a correlação com a maior densidade populacional. De facto, existem mais idosos no Norte e em Lisboa, mas do ponto de vista percentual é a Região Centro e o interior do Alentejo que têm mais idosos e menos neurologistas.
No Centro existem 4 neurologistas com interesse na doença de Parkinson para 100 mil habitantes idosos, no Norte existem 7, em Lisboa 9 e é precisamente nas zonas com mais idosos, no Alentejo, Algarve e Regiões Autónomas, que temos menos ou nenhum neurologista.
A assimetria geográfica é claramente o maior desafio para nós médicos e sociedades científicas.
Por outro lado, outro grande desafio é fazer um registo nacional sobre a doença, que pode ajudar a saber onde estão os doentes e a tomar as melhores atitudes e estratégias.»
--Os hospitais
«Falham imensos aspetos no processo de produção»
Ana Escoval (presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central)
«Acho que ninguém está a fazer o que é suposto. Em primeiro lugar, esta é uma doença que necessita de uma equipa multidisciplinar (médico, enfermeiro, terapeuta da fala, fisioterapeuta) para atingir os melhores resultados e falham imensos aspetos no processo de produção.
Depois, na vertente da organização, o problema é ainda maior porque criámos um sistema de saúde em caixinhas verticais (hospitais, CSP, cuidados continuados) e quando a pessoa precisa de cuidados é obrigada a percorrer o sistema todo. E esta interligação e articulação e percurso não estão a ser feitos como devem de ser.
As estratégias passarão por reformas de proximidade que se centrem nos recursos dos doentes, que olhem a pessoa e o percurso que tem de fazer, mas sobretudo que se olhe para os dados e para a informação e se saiba tirar lições e melhorar.
Por outro lado, para a resposta a esta e outras doenças, os serviços de saúde devem envolver os agentes da comunidade, ter uma gestão mais proativa e de negociação com os doentes relativamente aos seus planos individuais de cuidado e ainda desenvolver melhores sistemas de informação. Fortalecer a política de financiamento da saúde, dar cobertura às populações, melhorar a eficiência e promover uma forte liderança nas unidades de saúde são outros aspetos cruciais, aos quais se junta a necessidade de “sair” dos nossos gabinetes e conseguirmos trabalhar em conjunto.»
--Os doentes
«Os doentes não têm o que merecem no SNS»
Ana Botas (vice-presidente da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson)
«Existem pacientes que sabem da doença e das suas necessidades, entre as quais o facto de ser uma patologia que requer uma equipa multidisciplinar e até se envolvem no processo, mas a grande maioria dos doentes não sabe o que é suposto fazer. Por outro lado, a maioria das pessoas que são encaminhadas para a Associação vêm do setor privado.
Relativamente às queixas, estas são ainda muitas, entre as quais as enormes listas de espera para a especialidade de Neurologia ou para ter acesso à fisioterapia, que não é especializada. Por outro lado, os doentes dizem-nos que há muitos médicos de família que só prescrevem os medicamentos e não encaminham para a fisioterapia ou para a Associação.
Consideramos que podemos ser um bom parceiro do SNS porque fazemos formação de formadores, damos apoio aos doentes e familiares e informamos, que é o que mais falta faz. De facto, a iliteracia em saúde é o nosso maior inimigo. Em suma, ainda falta um longo caminho a percorrer na abordagem multidisciplinar e os doentes não têm o que merecem no SNS, pois devia haver mais apoio. Os pacientes consideram mesmo que o SNS nada faz por eles.»
--Acesso aos medicamentos
«Não temos os medicamentos que interessam»
Mário Miguel Rosa (neurologista e farmacologista clínico, responsável pela consulta de Doenças do Movimento no Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria)
«Não temos os medicamentos que interessam. Não temos acesso fácil à apomorfina, à duodopa e não temos acesso a alguns medicamentos, nomeadamente agonistas alfa-aminérgicos. Portugal tem cinco fármacos desta classe comparticipados, mas a Alemanha tem 10, por exemplo.
Por outro lado, com os agonistas alfa-aminérgicos conseguimos tratar todos os doentes que queremos, mas não na fase avançada da doença.
Para além disso, existem alguns centros que têm acesso a algumas estratégias medicamentosas e outros que não, dependendo de as administrações hospitalares aprovarem ou não a sua utilização e da agilidade na autorização de utilização excecional (AUE) e, mesmo de haver ou não acesso à própria AUE de alguns medicamentos que não são comparticipados.
Em suma, a questão do value for money de cada medicamento, a capacidade de avaliação do custo-beneficio e a sustentabilidade do fármaco interferem com as decisões em vários países, incluindo Portugal.
Nos últimos três anos aprovámos 21 medicamentos para o sistema nervoso por procedimento centralizado, dos quais alguns para a doença de Parkinson.
Destes, foram relevantes para nós o Xadago (safinamida), que foi aprovado a 24 de fevereiro de 2015, mas que não está acessível (o preço aprovado em Portugal é de 209,99 euros por 30 unidades); bem como o numiente, que tem 4 formas de libertação e nem sequer tem preço em Portugal, passando-se a mesma situação com o ugentis (opicapone) que é de nossa produção e que foi aprovado a 24 de junho de 2016.
Depois da comercialização e da comparticipação coloca-se também a questão da acessibilidade e das falhas de acessibilidade, sendo a amantadina a substância que mais frequentemente falha, seguindo-se a rasagilina e também a primidona e mais raramente o pramipexol e a reticulina.
A perspetiva em relação ao futuro não é brilhante, mas neste momento talvez estejamos ligeiramente melhor do que há cinco anos atrás. Algumas moléculas são potencialmente promissoras, mais para as fases iniciais do que avançadas, concluindo que os nossos doentes que estão em estadio IV e V provavelmente vão terminar a sua existência sem experimentar novas drogas.»
Fisioterapia por sessões vs por resultados
--«Fisioterapia por resultados tem potenciais efeitos nos cuidados»
Anabela Pinto (médica fisiatra, professora na Faculdade de Medicina de Lisboa, responsável pelo apoio de Reabilitação Neurológica de Hospital de Santa Maria)
«Fazer fisioterapia por sessões ou por resultados e uma questão em aberto e não há uma resposta única e consensual. A primeira é vantajosa se pensarmos que o SNS faz um grande esforço financeiro para prestar apoio a uma doença com uma prevalência de 1,4 doentes por 100 mil habitantes, mas como há planeamento insuficiente não sabemos onde estão os doentes o que, por sua vez, gera aumento de custos.
Já a fisioterapia por resultados, e por estar centrada no doente e na procura de um estilo de vida saudável, tem potenciais efeitos nos cuidados, na redução dos dias de internamento e de comorbilidades, mas também tem contras, como a evidência limitada quanto ao custo-benefício e o subfinanciamento crónico».
Por outro lado, falamos de uma doença crónica progressiva e tardia, com um diagnóstico clínico com falhas em 50% dos clínicos gerais e mesmo de 10% nos especialistas das doenças do movimento.
De salientar também o facto de ainda não existirem biomarcadores para o diagnóstico, para o tratamento e para a evolução, o que limita a eficácia das terapêuticas potencialmente neuro protetoras.
Devemos lembrar igualmente que esta é uma patologia complexa e heterogénea e que a redução dos neurónios na substância nigra é apenas a ponta de um icebergue.
Como tal, esta complexidade também exige uma complexidade nos cuidados a prestar, diferenciação em áreas especializadas e centros especializados.
Temos, de facto, assistido a uma enorme mudança no paradigma do tratamento da reabilitação para a doença de Parkinson e sabemos agora que o exercício melhora a saúde motora.
Relativamente ao tipo de exercícios, estudos recentes apontam para a necessidade de uma combinação dos vários tipos de programas de exercício, de uma maior duração dos programas e uma avaliação do efeito neuro protetor e, nesse sentido, a prescrição de sessões de fisioterapia não fará muito sentido.» Fonte: Tempo Medicina.
Na mesa-redonda que encerrou o Congresso de Neurologia 2016, no passado dia 26, em Lisboa, o objetivo era responder ao tema «Está o SNS preparado para tratar a doença de Parkinson?». Joaquim Ferreira, neurologista e diretor do Campus Neurológico Sénior do Laboratório de Farmácia Clínica e Terapêutica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, moderou a sessão, tendo começado por dizer que «faz todo o sentido discutir esta questão porque estamos num momento de crise ou de viragem em vários domínios e vamos ter que lidar com várias mudanças».
A primeira delas, segundo o moderador, «é o número de doentes que nas próximas décadas vai aumentar porque a estrutura demográfica está a mudar e, como tal, vamos ter mais pessoas com 65 anos, 70, 80 e 85 anos».
Uma segunda razão pela qual faz sentido discutir a situação atual e futura da doença de Parkinson é o fenótipo dos doentes, que, de acordo com Joaquim Ferreira, «também está a mudar»: «Hoje em dia, os doentes ficam bem do ponto de vista motor quando são operados, contudo falamos de um corpo bom num cérebro deteriorado do ponto de vista cognitivo.
Ou seja, cada vez tratamos melhor os pacientes, o que leva a que tenhamos cada vez mais doentes em estadios avançados», concretizou o orador.
Em suma, «no futuro vamos ter mais doentes e mais doentes a chegar a estadios IV e V, não avançados, mas sim tardios, com perda de autonomia, e também não terminais. Ou seja, pessoas com alterações psiquiátricas, dementes e dependentes ou institucionalizadas».
Por outro lado, «o padrão de como a doença se manifesta está a mudar e vai-se alterar ainda mais.
E, em paralelo, também a evidência do modelo que suporta a intervenção está-se a transformar», considera o neurologista. «Estamos habituados a lidar com o doente na consulta, fazemos intervenção farmacológica e o doente volta para casa, mas cada vez mais este modelo deixa de fazer sentido».
Aliás, de acordo com Joaquim Ferreira, «é fácil de perceber o quanto absurdo é escrever uma carta ao médico de família para passar dez sessões de fisioterapia por ano, numa fase em que sabemos que a fisioterapia específica para tratar a doença ou o exercício como intervenção terapêutica é eficaz para tratar problemas que não têm uma resposta farmacológica visível e que as intervenções têm um modelo que deve ser continuado no tempo».
«No futuro vamos ter mais doentes e mais doentes a chegar a estadios IV e V, não avançados, mas sim tardios, com perda de autonomia, e também não terminais. Ou seja, pessoas com alterações psiquiátricas, dementes e dependentes ou institucionalizadas», alertou Joaquim Ferreira
Na sua opinião, «passar uma quantidade de sessões de fisioterapia por ano não faz sentido e nós aceitamos isso como uma inevitabilidade».
Dissociação entre a abordagem terapêutica necessária e a que é feita na prática
Em síntese, para o especialista, «há cada vez mais uma dissociação entre aquilo que seria o padrão para uma abordagem terapêutica deste tipo de doentes e aquilo que na prática estamos a fazer».
Os exemplos dados são inúmeros, entre os quais «a simples questão de assumirmos que os doentes de Parkinson têm um risco aumentado de ter lesões cutâneas e melanoma e que devem ter uma avaliação dermatológica anual».
Como tal, «a questão que se coloca é se estamos a incorporar toda esta multidisciplinaridade e interdisciplinaridade na nossa prática», concluiu Joaquim Ferreira, salientando que esta foi, aliás, a razão deste desafio e que o levou a querer ouvir a opinião do painel de especialistas convidados. A pergunta à qual tinham de responder era se consideram se «estão ou não a fazer o que é suposto?»
Estão os vários protagonistas a fazer o que é suposto para tratar os doentes de Parkinson?
Esta foi a pergunta colocada aos vários especialistas convidados e que representam os vários setores. Ficam as opiniões de representantes dos médicos, dos hospitais, dos doentes, bem como a situação atual relativa ao acesso às terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas.
--Os médicos
«É precisamente nas zonas com mais idosos que temos menos ou nenhum neurologista»
Miguel Gago (neurologista e presidente da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento)
«Embora existam desafios e limitações, os médicos estão a fazer o que é suposto na doença de Parkinson. O principal desafio, do ponto de vista da prática clínica, é a distribuição geográfica assimétrica dos especialistas. Existem imensos neurologistas na região de Lisboa, Porto e Coimbra e, depois, nos outros distritos 1 ou mesmo 0 neurologistas, como é o caso de Évora, Castelo Branco e Santarém.
Este fenómeno está relacionado com a proximidade dos centros hospitalares universitários, mas a principal razão é a correlação com a maior densidade populacional. De facto, existem mais idosos no Norte e em Lisboa, mas do ponto de vista percentual é a Região Centro e o interior do Alentejo que têm mais idosos e menos neurologistas.
No Centro existem 4 neurologistas com interesse na doença de Parkinson para 100 mil habitantes idosos, no Norte existem 7, em Lisboa 9 e é precisamente nas zonas com mais idosos, no Alentejo, Algarve e Regiões Autónomas, que temos menos ou nenhum neurologista.
A assimetria geográfica é claramente o maior desafio para nós médicos e sociedades científicas.
Por outro lado, outro grande desafio é fazer um registo nacional sobre a doença, que pode ajudar a saber onde estão os doentes e a tomar as melhores atitudes e estratégias.»
--Os hospitais
«Falham imensos aspetos no processo de produção»
Ana Escoval (presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central)
«Acho que ninguém está a fazer o que é suposto. Em primeiro lugar, esta é uma doença que necessita de uma equipa multidisciplinar (médico, enfermeiro, terapeuta da fala, fisioterapeuta) para atingir os melhores resultados e falham imensos aspetos no processo de produção.
Depois, na vertente da organização, o problema é ainda maior porque criámos um sistema de saúde em caixinhas verticais (hospitais, CSP, cuidados continuados) e quando a pessoa precisa de cuidados é obrigada a percorrer o sistema todo. E esta interligação e articulação e percurso não estão a ser feitos como devem de ser.
As estratégias passarão por reformas de proximidade que se centrem nos recursos dos doentes, que olhem a pessoa e o percurso que tem de fazer, mas sobretudo que se olhe para os dados e para a informação e se saiba tirar lições e melhorar.
Por outro lado, para a resposta a esta e outras doenças, os serviços de saúde devem envolver os agentes da comunidade, ter uma gestão mais proativa e de negociação com os doentes relativamente aos seus planos individuais de cuidado e ainda desenvolver melhores sistemas de informação. Fortalecer a política de financiamento da saúde, dar cobertura às populações, melhorar a eficiência e promover uma forte liderança nas unidades de saúde são outros aspetos cruciais, aos quais se junta a necessidade de “sair” dos nossos gabinetes e conseguirmos trabalhar em conjunto.»
--Os doentes
«Os doentes não têm o que merecem no SNS»
Ana Botas (vice-presidente da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson)
«Existem pacientes que sabem da doença e das suas necessidades, entre as quais o facto de ser uma patologia que requer uma equipa multidisciplinar e até se envolvem no processo, mas a grande maioria dos doentes não sabe o que é suposto fazer. Por outro lado, a maioria das pessoas que são encaminhadas para a Associação vêm do setor privado.
Relativamente às queixas, estas são ainda muitas, entre as quais as enormes listas de espera para a especialidade de Neurologia ou para ter acesso à fisioterapia, que não é especializada. Por outro lado, os doentes dizem-nos que há muitos médicos de família que só prescrevem os medicamentos e não encaminham para a fisioterapia ou para a Associação.
Consideramos que podemos ser um bom parceiro do SNS porque fazemos formação de formadores, damos apoio aos doentes e familiares e informamos, que é o que mais falta faz. De facto, a iliteracia em saúde é o nosso maior inimigo. Em suma, ainda falta um longo caminho a percorrer na abordagem multidisciplinar e os doentes não têm o que merecem no SNS, pois devia haver mais apoio. Os pacientes consideram mesmo que o SNS nada faz por eles.»
--Acesso aos medicamentos
«Não temos os medicamentos que interessam»
Mário Miguel Rosa (neurologista e farmacologista clínico, responsável pela consulta de Doenças do Movimento no Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria)
«Não temos os medicamentos que interessam. Não temos acesso fácil à apomorfina, à duodopa e não temos acesso a alguns medicamentos, nomeadamente agonistas alfa-aminérgicos. Portugal tem cinco fármacos desta classe comparticipados, mas a Alemanha tem 10, por exemplo.
Por outro lado, com os agonistas alfa-aminérgicos conseguimos tratar todos os doentes que queremos, mas não na fase avançada da doença.
Para além disso, existem alguns centros que têm acesso a algumas estratégias medicamentosas e outros que não, dependendo de as administrações hospitalares aprovarem ou não a sua utilização e da agilidade na autorização de utilização excecional (AUE) e, mesmo de haver ou não acesso à própria AUE de alguns medicamentos que não são comparticipados.
Em suma, a questão do value for money de cada medicamento, a capacidade de avaliação do custo-beneficio e a sustentabilidade do fármaco interferem com as decisões em vários países, incluindo Portugal.
Nos últimos três anos aprovámos 21 medicamentos para o sistema nervoso por procedimento centralizado, dos quais alguns para a doença de Parkinson.
Destes, foram relevantes para nós o Xadago (safinamida), que foi aprovado a 24 de fevereiro de 2015, mas que não está acessível (o preço aprovado em Portugal é de 209,99 euros por 30 unidades); bem como o numiente, que tem 4 formas de libertação e nem sequer tem preço em Portugal, passando-se a mesma situação com o ugentis (opicapone) que é de nossa produção e que foi aprovado a 24 de junho de 2016.
Depois da comercialização e da comparticipação coloca-se também a questão da acessibilidade e das falhas de acessibilidade, sendo a amantadina a substância que mais frequentemente falha, seguindo-se a rasagilina e também a primidona e mais raramente o pramipexol e a reticulina.
A perspetiva em relação ao futuro não é brilhante, mas neste momento talvez estejamos ligeiramente melhor do que há cinco anos atrás. Algumas moléculas são potencialmente promissoras, mais para as fases iniciais do que avançadas, concluindo que os nossos doentes que estão em estadio IV e V provavelmente vão terminar a sua existência sem experimentar novas drogas.»
Fisioterapia por sessões vs por resultados
--«Fisioterapia por resultados tem potenciais efeitos nos cuidados»
Anabela Pinto (médica fisiatra, professora na Faculdade de Medicina de Lisboa, responsável pelo apoio de Reabilitação Neurológica de Hospital de Santa Maria)
«Fazer fisioterapia por sessões ou por resultados e uma questão em aberto e não há uma resposta única e consensual. A primeira é vantajosa se pensarmos que o SNS faz um grande esforço financeiro para prestar apoio a uma doença com uma prevalência de 1,4 doentes por 100 mil habitantes, mas como há planeamento insuficiente não sabemos onde estão os doentes o que, por sua vez, gera aumento de custos.
Já a fisioterapia por resultados, e por estar centrada no doente e na procura de um estilo de vida saudável, tem potenciais efeitos nos cuidados, na redução dos dias de internamento e de comorbilidades, mas também tem contras, como a evidência limitada quanto ao custo-benefício e o subfinanciamento crónico».
Por outro lado, falamos de uma doença crónica progressiva e tardia, com um diagnóstico clínico com falhas em 50% dos clínicos gerais e mesmo de 10% nos especialistas das doenças do movimento.
De salientar também o facto de ainda não existirem biomarcadores para o diagnóstico, para o tratamento e para a evolução, o que limita a eficácia das terapêuticas potencialmente neuro protetoras.
Devemos lembrar igualmente que esta é uma patologia complexa e heterogénea e que a redução dos neurónios na substância nigra é apenas a ponta de um icebergue.
Como tal, esta complexidade também exige uma complexidade nos cuidados a prestar, diferenciação em áreas especializadas e centros especializados.
Temos, de facto, assistido a uma enorme mudança no paradigma do tratamento da reabilitação para a doença de Parkinson e sabemos agora que o exercício melhora a saúde motora.
Relativamente ao tipo de exercícios, estudos recentes apontam para a necessidade de uma combinação dos vários tipos de programas de exercício, de uma maior duração dos programas e uma avaliação do efeito neuro protetor e, nesse sentido, a prescrição de sessões de fisioterapia não fará muito sentido.» Fonte: Tempo Medicina.
domingo, 25 de outubro de 2015
"Milagre" fez com que doente de Parkinson voltasse a andar
Pescador de Sesimbra já não andava pelos próprios pés há cerca de sete anos.
25 DE OUTUBRO DE 2015 - Há cerca de sete anos, João Formiga, diagnosticado com Parkinson, mal conseguia falar e andar. Caía várias vezes ao dia, já não conseguia escrever e de há um ano para cá deslocava-se numa cadeira de rodas elétrica. Tudo isso mudou em agosto, e ninguém sabe explicar como.
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“Só me lembro de o ver todo encaracolado, a dizer que se ia deitar e estava maldisposto […] De manhã, tomou a medicação, começou a andar e foi-se embora”, conta a mulher de João, Cesaltina, ao Jornal de Notícias.
Também a filha do antigo pescador revela que não há explicação para o que aconteceu, considerando que se tratou de um "milagre".
No hospital de São João, onde o homem foi operado para colocar um neurotransmissor, ninguém comenta o caso, e a única alteração que a família consegue destacar na vida de João foi a de ter passado, desde julho, a tomar comprimidos com água, em vez de iogurte. Fonte: País ao Minuto.
Possível explicação para o "milagre": Não tomar a levodopa com iogurte, fez o duodeno absorver o medicamento, ao invés de absorver a proteína do iogurte.
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