segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Identificada uma molécula (SynuClean-D) que interrompe e reverte o mecanismo de Parkinson

Experimentos em modelos animais mostraram a eficácia deste composto químico para retardar o processo de neurodegeneração
Os pesquisadores esperam que, no futuro, essa descoberta contribua para o desenvolvimento de uma ferramenta terapêutica para tratar a doença.

Lunes, 24/09/2018 | - O Parkinson permanece, até hoje, uma doença incurável. Assim, todos os esforços de pesquisa concentram-se em estudar como funciona o processo de neurodegeneração que caracteriza a doença.

Até agora sabemos que a doença está relacionada ao acúmulo de proteínas (fibrilas amilóides de alfa sinucleína) nos neurônios responsáveis ​​pela produção de dopamina. Um processo complexo no qual elas acabam criando depósitos agregados de proteínas, como a alfa-sinucleína. Daí a busca por inibidores que desacelerem e revertam sua agregação.

Agora uma nova pesquisa conduzida pelo Instituto de Biotecnologia e Biomedicina (IBB) da Universidade Autônoma de Barcelona aponta diretamente para uma pequena molécula conhecida como SynuClean-D como possíveis processos de freio de neurodegeneração em modelos animais. Um passo promissor para o desenvolvimento de uma aplicação terapêutica que, no futuro, possa contribuir para combater os efeitos desta doença.

"Nós ainda estamos longe de uma cura para esta doença. Mas agora, pela primeira vez, encontramos uma única molécula capaz de inibir, reverter e prevenir a agregação de alfa-sinucleína, a proteína responsável pelos processos de neurodegeneração no Parkinson" , explica Salvador Ventura, pesquisador do Instituto de Biotecnologia e Biomedicina (IBB) e líder dessa nova pesquisa.

A molécula
Os pesquisadores anunciaram a descoberta da molécula capaz de travar e inverter a neurodegeneração causada pela doença de Parkinson em um novo estudo publicado nesta segunda-feira na revista PNAS, uma descoberta que levanta capacidades até então desconhecidas deste composto.

"Tivemos de analisar mais de 14.000 moléculas para dar com SynuClean-D. Esta é a primeira vez que é encontrada uma molécula capaz de desempenhar a chave de três funções para combater Parkinson. Inibir, inverter e evitar a disseminação de agregados" explica Ventura. "Esperamos que, no futuro, essa molécula possa contribuir para combater as primeiras fases da doença", conclui o pesquisador.

Investigação
Experiências em vermes das espécies elegans (Caenorhabditis um modelo amplamente utilizado para estudar doenças neurodegenerativas) demonstraram a eficácia desta substância. Os resultados sugerem que esta molécula - fornecida aos animais através de alimentos - é capaz de reduzir significativamente a agregação de alfa-sinucleína, impedindo a disseminação de agregados tóxicos e, portanto, evitando a degeneração de neurônios dopaminérgicos.

Nestes experimentos, observou-se que os vermes que haviam sido alimentados com esta molécula tinham até quatro vezes mais neurônios do que aqueles que não haviam consumido essa substância. Uma descoberta que agora deve ser replicada em outros modelos animais, como ratos e macacos, antes que possa ser estudada em seres humanos no futuro.

Passos seguintes
Após a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson é a doença neurodegenerativa mais frequente, afetando mais de dez milhões de pessoas em todo o mundo. Estimativas indicam que sua prevalência continuará crescendo à medida que a população envelhece, por isso a pesquisa sobre os mecanismos por trás da doença e, acima de tudo, seu tratamento, torna-se uma tarefa prioritária.

Mas a história desta nova descoberta não termina aqui. A pesquisa que levou a esta esperançosa descoberta surge em parte da solidariedade cidadã expressa na Marató da TV3 em 2013, quando esse grupo de pesquisa recebeu 400.000 euros para aprofundar o estudo do papel das cepas de a-sinucleína em distúrbios neuropsicológicos. Original em espanhol, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: El Periodico. Veja também aqui: Molecule capable of halting and reverting neurodegeneration caused by Parkinson's disease identified.

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