sexta-feira, 18 de maio de 2018

A doença de Parkinson


por João Carlos Mendonça Santos
17/05/2018 - Florianópolis - Sou portador da Doença de Parkison (DP). O diagnóstico chegou após consulta com neurologista no início de 2017. Mas negligenciei ao demorar em assumir a doença. Os primeiros sinais surgiram em junho de 2015 quando, do nada, comecei a apresentar tremores na mão esquerda. Os médicos, à época, diziam poder estar relacionados à “dor do luto”, pois havia ficado viúvo em março de 2014. Mas a luz amarela acendeu no início de 2017 quando, de repente, deixei desabar, no piso na cozinha, uma xícara de café logo pela manhã. Decidi, então, procurar ajuda. A consulta foi em fevereiro de 2017. Ficamos um bom tempo no consultório com o neurologista, especialista em tremores. Eu e minha filha, parceirona de todas as horas.

Fiz os testes necessários, avaliação de exames e veio o diagnóstico. “O sr. tem Parkinson”. “Mas isso é doença de velho”, retruquei, na minha ignorância médica. O doutor, então, me levou para uma outra sala e começou a exibir vídeos de pacientes seus com o mesmo diagnóstico. O primeiro a aparecer foi um jovem de 17 anos, agricultor de Antônio Carlos, cidade da Grande Florianópolis. O menino tremia o corpo inteiro. E com 17 anos está longe de ter o perfil de “velho”. Outro paciente, esse de 40 anos, também apresentava sinais da doença. Até que surge um vídeo de um senhor de 86 anos com idêntico diagnóstico. Portanto, a minha definição de que DP é “coisa de velho” foi de uma ignorância suprema. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos apresenta DP.

No Brasil, infelizmente, não há uma estatística exata da quantidade de enfermos, mas estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença. Hoje continuo com o mesmo neurologista e o tratamento prossegue. A melhora já é visível, mas ainda tremo na mão esquerda. Aliás, sobre o tremor típico da DP, é o sintoma inicial da doença em 70% dos casos. Em fases iniciais da doença, ele passa despercebido por colegas e familiares do enfermo e costuma começar em uma das mãos. E ainda sobre o tremor, uma frase não me sai da cabeça desde a primeira consulta. Disse o médico. “O sr. não vai morrer disto, mas vai viver com isso”. Fonte: Notícias do Dia.

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