quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Médico e ex-diretor do Hospital das Clínicas são denunciados por fraude em licitações

Esquema envolvendo compra de marca-passos cerebrais chegou a causar prejuízo de R$ 4,8 milhões aos cofres públicos.

14/12/2017 - O Ministério Público Federal em São Paulo ofereceu nesta quarta-feira (13) denúncia à Justiça contra quatro pessoas por desvio de recursos públicos na compra de marca-passos cerebrais. A Procuradoria estima em R$ 4,8 milhões o prejuízo aos cofres públicos.

Entre os denunciados estão o neurocirurgião do Hospital das Clínicas de São Paulo, Erich Talamoni Fonoff, e o ex-diretor administrativo do Instituto de Psiquiatria do HC Waldomiro Pazin. Os dois foram acusados de fraude a licitação e associação criminosa. Fonoff também foi denunciado por corrupção passiva. Ele havia sido afastado do Hospital das Clínicas em outubro.

A Procuradoria também acusa o empresário Victor Dabbah, dono da empresa Dabasons, e Sandra Regina Dias Ferraz, representante comercial da mesma empresa, por corrupção ativa, fraude a licitação e associação criminosa.

A denúncia é resultado da Operação Dopamina, que foi deflagrada em 18 de julho de 2016 pela PF e pela Procuradoria contra. O objetivo era desarticular um esquema criminoso de desvio de recursos públicos na compra de marca-passos cerebrais, que são aparelhos revolucionários usados principalmente em cirurgias para o tratamento de Parkinson.

Segundo o Ministério Público Federal, a investigação teve início após pacientes do Sistema único de Saúde (SUS) que eram atendidos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo relatarem que estavam sendo induzidos a acreditar que havia necessidade de realização de cirurgias urgentes para implantes de equipamentos para estímulos do cérebro.

Médico do HC é suspeito de envolvimento em superfaturamento de implantes
Fonoff orientava os pacientes a obter os implantes via judicial com a intermediação de Waldomiro Pazin, segundo o Ministério Público Federal. Os pedidos de cirurgia em feitos em caráter de urgência.

Os equipamentos eram comprados da empresa Dabasons com valores superfaturados. Equipamentos que, de forma regular, custariam cerca de R$ 24 mil chegavam a ser comercializados por R$ 115 mil.

À época, o Hospital das Clínicas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que colabora com as investigações.

A advogada Luisa Moraes de Abreu Ferreira, que defende Victor Dabbah, disse que não poderia se manifestar porque não teve acesso à denúncia.

O G1 não conseguiu contato com o advogado de Sandra Ferraz.

Na época do afastamento do HC, em julho do ano passado, o advogado de Fonoff disse ao Bom Dia São Paulo que o médico nunca influenciou o processo de compra no HC e o advogado de Pazin afirmou que seu cliente negava a participação em qualquer irregularidade. Fonte: Globo G1.

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