sábado, 12 de novembro de 2016

QUATRO COISAS SOBRE COMPLICAÇÕES NA DOENÇA DE PARKINSON QUE PSIQUIATRAS PRECISAM SABER

A psiquiatria tem um papel fundamental na contribuição do diagnóstico e tratamento dos sintomas neuropsiquiátricos associados à doença de Parkinson, principalmente a depressão e a psicose. Apesar da causa da doença ainda ser desconhecida, há evidências de que fatores genéticos, ambientais e o envelhecimento podem estar envolvidos na etiopatogênese.

A progressão dos sintomas é usualmente lenta, mas a velocidade deste processo é bastante variável em cada caso. De acordo com a médica neurologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em Distúrbios do Movimento, Ana Lucia Rosso, psiquiatras precisam estar atentos em relação aos seus pacientes para o aparecimento de sintomas motores em casos de depressão.

— A depressão pode ser um sintoma pré-motor da doença de Parkinson. Os psiquiatras devem ficar atentos ao aparecimento dos sintomas em pacientes com diagnóstico de depressão, principalmente na população idosa — explica.

Os primeiros sintomas da doença de Parkinson têm início de modo quase imperceptível e avançam lentamente, o que faz com que o próprio paciente ou seus familiares não consigam identificar as manifestações.

Um dos primeiros sintomas apontado por pacientes com o diagnóstico é uma sensação de cansaço ou mal-estar que sentem ao final de cada dia. Alterações emocionais são comuns e pacientes podem sentir-se inseguros e temerosos quando submetidos a alguma situação nova. Muitos acabam evitando sair ou viajar, tendem a retrair-se e evitar contatos sociais. Também existem casos em que o paciente perde a motivação e torna-se extremamente dependente de familiares.

A depressão é um sintoma comum e que pode ocorrer cedo na evolução da doença, mesmo antes dos outros sintomas serem notados, provavelmente relacionados à redução do neurotransmissor serotonina.

— As complicações psiquiátricas na doença de Parkinson são muito frequentes, normalmente subvalorizadas e o tratamento adequado tem um grande impacto positivo na qualidade de vida destes pacientes — alerta a especialista.

Abaixo, Ana Lucia aponta questões sobre a doença de Parkinson que estão diretamente relacionadas aos pacientes com quadro de depressão. Confira:

Depressão é o principal fator de impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes com doença de Parkinson, podendo ser um sintoma pré-motor.

Somente a quetiapina, a clozapina e, mais recentemente, apimavanserina, estão indicadas no tratamento da psicose nos pacientes com doença de Parkinson.

A demência na doença de Parkinson é tardia no curso da doença e não necessariamente afeta o domínio da memória. É um marcador de morbidade e mortalidade.

Os comportamentos impulsivo-compulsivos são subestimados, devendo ser ativamente questionados. Podem ter consequências devastadoras e estão amplamente associados ao uso de agonistas dopaminérgicos. Fonte: Secad.

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