sábado, 10 de junho de 2017

DEVERÍAMOS UTILIZAR AS VACINAS COM PRUDÊNCIA

10 de junho de 2017 | ENTREVISTA Meryl Nass (Médica americana)

Especialista em medicina interna, a norte-americana Meryl Nass é uma das mais proeminentes vozes em oposição à necessidade de vacinar toda a população. Com experiência no tratamento de pacientes com Síndrome da Guerra do Golfo e males relacionados à vacina contra o antraz, a médica critica a imunização em massa e, apesar de apontar que faltam dados quanto a efeitos negativos das vacinas, defende que todos deveriam poder escolher se querem ou não se prevenir de algumas doenças. Ela concedeu a seguinte entrevista por e-mail a ZH:

As vacinas são nocivas? O que tornaria sua aplicação um problema?

Em primeiro lugar, as vacinas são um subconjunto de medicamentos e deveriam ser pensadas assim, como remédios. E não dizemos que medicamentos, como uma categoria, são ruins ou bons. Em vez disso, usamos um quando é preciso, quando é o certo a se fazer em cada caso específico.

Uma abordagem mais controlada do uso de vacinas seria mais indicada?

Na minha modesta opinião, é preciso equilibrar os riscos e os benefícios, e isso deveria ser feito para cada indivíduo. Isso exige que você conheça os riscos e os benefícios de cada vacina, mas algumas vezes temos apenas informações limitadas.

A vacinação em massa pode já ser ou acabar se tornando um problema de saúde pública?

Infelizmente, não temos dados precisos o suficiente para saber realmente quais são os efeitos negativos das vacinas a longo prazo, e com que frequência acontecem.

Seria mais saudável deixar o próprio corpo combater as doenças?

Isso varia de pessoa para pessoa.

Há riscos de que pessoas não imunizadas acabem desenvolvendo uma forma mais grave de uma doença e a espalhe não só localmente, mas também para outros países?

Sim, isso é possível com algumas doenças.

Você vê outros médicos, ainda que identifiquem riscos graves relacionados à vacinação, evitando falar abertamente sobre isso?

Depois que o doutor Andrew Wakefield perdeu a licença médica por investigar possíveis ligações entre a vacina tríplice viral e o autismo, em 2010, os discursos relacionados aos efeitos adversos da vacinação esfriaram.

Quais seriam os efeitos de uma nova geração não tão imunizada quanto a atual e as anteriores?

Podemos olhar para diferentes países na Europa e para os Estados Unidos. Algumas nações utilizam apenas cerca de 60% das vacinas que os EUA usam. Enquanto esses países têm alguns casos a mais de sarampo que os EUA, em geral suas populações são mais saudáveis. Penso que deveríamos utilizar as vacinas com prudência, e estudar com cuidado o efeito tanto de adicionar quanto de subtrair vacinas do calendário atual. Atualmente, as crianças norte-americanas recebem cerca de 70 doses de vacinas antes de completarem 19 anos. Nos Estados Unidos, continuamos acrescentando vacinas (algumas vezes as mudamos), mas nunca as retiramos, mesmo quando descobrimos que elas não funcionam bem, como as vacinas contra a gripe.

Poderíamos estar contribuindo para o fortalecimento de doenças que não seriam tão resistentes se não fosse pelas vacinas?

Não tenho uma boa resposta para isso.

Haveria maneiras melhores de lidar com as doenças na população?

Até termos dados mais completos sobre as vacinas, é difícil pesar seus reais benefícios e malefícios. É preciso ser específico quanto a casos específicos de combinação entre doença e vacina. Por exemplo, temos virtualmente zero casos de hepatite B em crianças pequenas cujas mães não têm hepatite B. Recém-nascidos (são 4 milhões por ano nos Estados Unidos) recebem vacina contra a hepatite B no primeiro dia de vida, quando isso não traz benefícios a 3,999 milhões deles. Ao mesmo tempo, porque os recipientes são recém-nascidos, é muito difícil saber se eles foram prejudicados pela vacina, já que o bebê recém nasceu e não sabemos como ele poderia ficar sem a vacina. Na minha opinião, isso é algo ruim.

A vacinação deveria ser tornada opcional?

Nos Estados Unidos, muitas crianças não podem ir à escola sem ter recebido cada vacina. Ainda assim, as regras governamentais de vacinação incluem requerimentos para vacinas contra a influenza e contra hepatite B, cujos benefícios são questionáveis e os riscos podem ser significativos. Na minha opinião, os governos nem sempre tomam decisões razoáveis para a saúde da população. Assim, penso que os pais, que têm muito mais chance de ter o melhor interesse para a saúde de seus filhos do que o governo, deveriam tomar essa decisão. Fonte: Zero Hora.

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