quinta-feira, 1 de outubro de 2015

PACIENTES TEMEM TER QUE INTERROMPER TRATAMENTOS

SETEMBRO 30, 2015 - No dia seguinte ao anúncio de um possível corte de R$ 9,1 bilhões para o Ministério da Saúde em 2016, o ministro Arthur Chioro foi demitido. E a redução do orçamento já reocupa os pacientes do Estado que precisam de tratamentos como de hemodiálise. Isso porque a alta e média complexidade, onde se encaixa o procedimento, pode ser alvo de uma redução de $ 5,3 bilhões. A economia do Ministério também aponta para o fim do cofinanciamento de medicamentos do programa “Aqui tem Farmácia Popular”, afetando os pacientes que têm Parkinson e precisam tomar Prolopa (remédio que controla os tremores da doença). Pelo programa, a medicação que custa em média R$ 70 a caixa, sai, em média, por R$ 7.

Em Pernambuco, 4,8 mil pessoas fazem hemodiálise. Entre eles Adeildo José dos Santos, 57 anos. “Se houver esse corte vamos ficar num inferno. E olhe que a situação já não é das melhores. Lamento, pois a atenção do governo com nós pacientes de hemodiálise já é quase nula”, disse Santos, que faz o tratamento há 12 meses. Natural de Camaragibe, ele vem três vezes por semana para o Recife, onde passa quatro horas tendo o sangue filtrado na máquina. Adeildo destacou que precisa da hemodiálise para sobreviver. “Sem isso não tem alternativa”.

A presidente da Regional Pernambuco da Sociedade Brasileira de Nefrologia, Maria de Fátima Carvalho, disse que o momento é de apreensão para todos. “Esse é um tratamento de manutenção da vida. Sem ele o paciente pode morrer em 48 horas ou alguns dias”, alertou. A médica afirmou que os problemas na atenção ao paciente renal são antigos, uma vez que o número de doentes aumentou muito nos últimos anos, mas os de clínicas não. Isso gera serviços superlotados. “Parece que a atividade foi esquecida”, disse. Outra questão é um déficit da tabela SUS que paga por cada sessão de hemodiálise R$ 179, quando o custo real do procedimento seria de R$ 225.

Os pacientes de Parkinson também estão temerosos. “Se isso acontecer será complicado. Não temos muitos caminhos para conseguir o remédio. Quando não encontramos na Farmácia do Estado, temos como comprar no programa aqui tem Farmácia Popular. Sem ele, perdemos um caminho”, reclamou a paciente Maria do Carmo Pereira, que toma Prolopa. O remédio, afirma, dá certa independência. “Sem ele não consigo nem andar”, afirmou. Fonte: Cremepe.

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