quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Condições de saúde dos idosos com doença de Parkinson

Autor: Baptista, Rafaela
27/10/2015 - Resumo:
Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e de corte transversal, com análise descritiva e exploratória dos dados, que foi realizada com 50 pessoas idosas com doença de Parkinson integrantes da Associação Parkinson Santa Catarina. Teve como objetivo: conhecer as condições de saúde em relação ao grau de comprometimento causado pela doença, a capacidade funcional, ao estado cognitivo e ao risco de quedas em idosos com doença de Parkinson desse grupo. A coleta de dados foi realizada em agosto e setembro de 2014, sendo iniciada somente após aprovação do projeto no comitê de ética em pesquisa com seres humanos da Universidade Federal de Santa Catarina. Na coleta de dados foram realizados os seguintes passos: agendamento da visita para coleta de dados no domicílio por meio de contato telefônico; apresentação do pesquisador/coletador de dados; explicado os objetivos da pesquisa ao sujeito de pesquisa; explicado o TCLE para cada sujeito e para o familiar/cuidador presente no momento da visita para posteriormente ser assinado. Na seqüência foi aplicado o questionário sociodemográfico que continha variáveis que permitiram identificar: sexo, idade, nível de escolaridade e estado civil. No que diz respeito à doença de Parkinson foi aplicado um questionário sobre o histórico de saúde perguntando o tempo de diagnóstico, as comorbidades e as medicações utilizadas; aplicado o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) para verificar o estado cognitivo; aplicada a escala de Hoenh e Yahr para verificar o grau de incapacidade causado pela doença; aplicada a medida de independência funcional (MIF) para verificar a capacidade funcional; aplicado o questionário para o risco de quedas para verificar o risco de quedas. Entre os idosos investigados, a média de idade foi de 71,6 anos sendo predominantemente casados, do sexo feminino, onde maior parte tinha o ensino fundamental. Entre os níveis de incapacidade provocados pela doença de Parkinson, identificou-se que 50% dos idosos apresentou comprometimento leve, 32% comprometimento moderado e 18% comprometimento grave causado pela doença de Parkinson. Os resultados demonstraram que 34% dos idosos apresentaram déficit cognitivo atestado pelo MEEM, sendo que 17 deles apresentaram déficit cognitivo leve e apenas 01 idoso apresentou comprometimento moderado. Observou se que todos os pacientes com incapacidade grave apresentaram risco de quedas, já os pacientes com incapacidade leve obtiveram risco de quedas em 76% dos casos. Referente ao grau de independência medido pela Medida de Independência Funcional constatou-se que 58% apresentaram independência completa ou modificada, 32% dependência modificada em até 25% das tarefas, e apenas 10% da amostra apresentou dependência modificada em até 50% das tarefas. Das patologias referidas pelos idosos, as que mais apareceram foram: em primeiro lugar a hipertensão presente em 42% dos casos. Depois, a depressão e a incontinência urinária foram na seqüência os dois diagnósticos mais referidos pelos idosos, representando consecutivamente, 40% dos casos para cada patologia. Referente ao uso de fármacos encontrou-se o seguinte parâmetro: 50% utilizavam de um a cinco medicamentos, 38% faziam uso de seis a 10 medicamentos e apenas 12% da amostra usavam mais de 10 tipos de medicamentos. Na avaliação das drogas usadas para o controle e manutenção da doença de Parkinson, encontrou-se a seguinte realidade: dos 50 participantes da pesquisa, 42% utilizavam um único fármaco, 34% usavam duas drogas antiParkinsoniana distintas e apenas 24% dos pacientes faziam uso de três medicamentos ou mais para a doença de Parkinson. A droga antiparkisoniana que mais apareceu foi o medicamento que associa a levodopa + cloridrato de benserazida, que estava presente em 96% dos casos. E a segunda droga mais comum entre os idosos foi o pramipexol, em 42% dos casos. Concluiu-se que a doença de Parkinson por ser uma doença neurodegenerativa apresenta comprometimento não somente físico, mas também cognitivo. Constatou-se que a amostra deste estudo apresenta graus mais leves de comprometimento causados pela doença de Parkinson, menos déficit cognitivo medido pelo Mini Exame do Estado Mental e menor dependência segundo a medida de independência funcional, o que foi associado ao fato de serem idosos fisicamente e socialmente ativos; engajados em atividade extra domicílio, como por exemplo, as atividades socioeducativas, de apoio e fisicomotoras oferecidas e estimuladas pela Associação Parkinson Santa Catarina. Fonte: UFSC.

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