segunda-feira, 20 de março de 2017

Falta de medicamentos afeta pacientes com doenças crônicas - PR

Medicamentos em falta estão deixando os pacientes preocupados
20/03/2017 - Pacientes portadores de doenças crônicas e raras que dependem de medicamentos fornecidos pela rede pública de saúde de Araucária estão enfrentando dificuldades. Alguns remédios específicos para o tratamento de doenças de alta complexidade como doença de Parkinson, Alzheimer, entre outras, não estão sendo fornecidos há vários dias. Medicações de uso contínuo para doenças como hipertensão, diabetes, colesterol e demais, também estão em falta na rede.

Em um dos casos, um paciente idoso, com doença de Parkinson, que está em tratamento há quatro anos, teve que comprar o medicamento com o dinheiro do próprio bolso porque o mesmo estava em falta na rede municipal de saúde. O problema é que o remédio tem um custo muito alto e a família precisou se desdobrar pra conseguir comprá-lo na farmácia convencional. “Desde o início do tratamento do meu pai contamos com o SUS, e fomos sempre muito bem tratados pelos profissionais da saúde daqui, inclusive com assistência farmacêutica. Passamos por alguns problemas sim, como administrações catastróficas que culminaram em prisão de gestores inclusive, mas nunca havia faltado o medicamento. Às vezes atrasava uns dias, mas sempre chegava”, contou o filho.

Neste mês, a família foi na rede buscar o medicamento e ficou preocupada quando recebeu a informação de que estava em falta e não havia previsão para chegar. “Apenas um dos remédios pode chegar à R$ 700,00 cada caixa, com 28 comprimidos, e ele toma quase duas caixas deste por mês. Felizmente tínhamos um dinheiro reservado para emergências e conseguimos um bom desconto em uma farmácia da cidade, mas fico pensando nas pessoas que não têm de onde tirar a grana para comprar. Se a prioridade é mesmo a saúde, não entendo como coisas assim possam estar acontecendo”, disse o filho, em tom de indignação.

O presidente do Conselho Municipal de Saúde – Comusar, Jair Lopes, disse que nesta semana, participou de uma reunião na Câmara, com a presença do secretário de Saúde, Carlos Alberto de Andrade, para discutir a questão da cesta básica de medicamentos fornecidos pelo Município. Segundo ele, a secretaria explicou que está reformulando a grade da cesta básica, isso porque alguns remédios que estavam sendo fornecidos pela rede municipal, são de competência do Estado. “Todos os casos de pacientes serão revistos e esta semana a Prefeitura informou que vai credenciar novas empresas para restabelecer o fornecimento dos medicamentos que competem ao município”, explicou Jair.

Ele disse que o Comusar tem recebido dezenas de reclamações de pacientes que estão com a medicação em falta, principalmente alguns de uso contínuo, como no tratamento da hipertensão. “Há cerca de 10 dias, ouvimos o absurdo de que algumas unidades estavam com falta de medicamentos, mas que os mesmos constavam na lista do almoxarifado. Isso porque não havia veículos da Prefeitura para levar a medicação até os postos. É preciso repensar situações como esta para que os pacientes não sejam ainda mais prejudicados”, comentou o presidente do Comusar.

Licitação
Sobre a questão, a Prefeitura disse que alguns medicamentos que o município fornece estão em processo licitatório, cuja abertura está marcada para a próxima quarta-feira, 22 de março, e outros estão aguardando apenas a entrega por parte dos fornecedores. Ainda conforme a Prefeitura, no ano passado foi realizado o pregão para aquisição de medicamentos não padronizados pela rede pública, mas por três vezes a licitação deu deserta (aquela que nenhum proponente interessado comparece) e a Secretaria de Saúde não conseguiu fornecedor para abrir processo de dispensa de licitação.

A Prefeitura explicou ainda que está sendo iniciada uma nova licitação, na tentativa de conseguir dar continuidade no fornecimento de medicamentos não padronizados para os pacientes que já tem processo aberto na Farmácia Central. “É bom ressaltar que alguns medicamentos podem ser dispensados também pela Farmácia do Estado e só eles podem responder sobre a demanda interna do serviço”, informou.
Texto: Maurenn Bernardo
Fonte: O Popular PR.

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