terça-feira, 21 de março de 2017

Cirurgia feita em Balneário Camboriú - SC, melhora pacientes com Parkinson

Terça, 21/3/2017 - Estimulação Cerebral Profunda. Este é o nome de um procedimento cirúrgico, ainda novo na região, para melhorar a qualidade de vida de pacientes com a Doença de Parkinson. A cirurgia que serve para implantar eletrodos no cérebro do paciente que fica o tempo todo acordado, surpreende qualquer leigo no assunto, mas o neurocirurgião Luciano Carvalho Silveira garante que é um procedimento sem dor e que o resultado é positivo.

No Hospital da Unimed Litoral ele comandou duas dessas cirurgias, a primeira, então inédita, em outubro do ano passado e a segunda no início de fevereiro, com mais de seis horas de duração. Os dois pacientes responderam muito bem ao tratamento.

O neurocirurgião conversou com a reportagem para explicar como funciona o procedimento. Luciano, 43, é gaúcho de Dom Pedrito, mora há cinco anos em Balneário Camboriú, atende na Unimed, no Marieta e no Instituto de Ortopedia e Traumatologia. Formou-se em Porto Alegre e especializou-se em neurocirurgia funcional em Barcelona. Já realizou várias dessas cirurgias em Porto Alegre. Acompanhe:

Qualquer paciente com a Doença de Parkinson pode se submeter?

Não, a Doença de Parkinson é neurodegenerativa, o organismo vai diminuindo a produção do neurotransmissor. Os principais sintomas são tremores involuntários, rigidez e lentidão nos movimentos. Ainda não tem cura. A intervenção cirúrgica é indicada para amenizar os sintomas.

É um químico?

Sim, o nome do neurotransmissor se chama dopamina. Com o passar do tempo isso vai se esgotando. Muitos dos doentes de Parkinson conseguem controlar a doença com medicações e levar uma vida com qualidade. Alguns, em torno de 20%, começam a ter muitas alterações em relação a medicação e a esses é recomendada a cirurgia.

Tem alguma idade indicada ou contra-indicada?

Os mais jovens se beneficiam mais. Não tem idade limite porque existem as outras situações clínicas. Mas paciente acima de 75 anos é muito arriscado fazer a cirurgia.

Mexer no cérebro com o paciente acordado?

Existe um equipamento, um neuroestimulador (dispositivosemelhante ao marca-passo cardíaco) que é implantado no peito do paciente. Ele é responsável pelos pulsos elétricos transportados até a região desejada do cérebro. Está fixado ao crânio. É feita uma ressonância previa disso. No dia da cirurgia é feita uma tomografia já com esse aparelho fixado no crânio. Com esse equipamento conseguimos ter a localização exata, através de cálculos matemáticos, de onde precisamos implantar esse eletrodo. No centro cirúrgico com o paciente acordado sob anestesia local somente, é feito um furinho só, de cada lado. O paciente não sente dor, nada. É só um furo no osso e com esse aparelho a gente vai introduzindo o eletrodo no núcleo em que será feita a estimulação.

Mas existem procedimentos com cérebro aberto mesmo, tipo tumores...

Os tumores a gente anestesia, abre e depois acorda, estimula e mapeia a área. E esta que estamos falando é uma cirurgia 100% acordado.

É verdade que tem algumas coisas que podemos fazer, tipo jogar xadrez, fazer palavras cruzadas, para estimular o cérebro e minimizar os riscos dessas doenças?

Para doenças como Alzheimer ou doenças demenciais é verdade. Quanto mais a pessoa exercita a mente e o corpo facilita para que tenhamos uma velhice mais saudável...

Esse paciente feito ano passado, vocês acompanham sempre?

Até ter o processo de indicação de cirurgia é feita uma série de avaliações psicológicas, neurológicas e aí culmina com a marcação da cirurgia. Às vezes demora alguns meses. O aparelho é desligado no momento da cirurgia. O paciente retorna no consultório depois de umas três semanas para ligar o aparelho e no consultório ele vai passar por toda uma avaliação neurológica novamente, porque cada pessoa tem um parâmetro de regulagem, de estimulação, não é igual para todo mundo, não é uma formula de bolo. Ali se avalia todas as funções motoras, as melhoras, os efeitos colaterais até achar o ponto e depois cada três, seis meses ele volta, é checado todo sistema. Em alguns casos a gente consegue diminuir bastante a medicação que vinha tomando, mas tem que ter um acompanhamento o resto da vida.

O SUS cobre esse tipo de cirurgia?

Consta na tabela SUS. Quando fiz minha formação em Porto Alegre, fizemos pelo SUS.

Quanto custa um tratamento desse?

Não tenho ideia, mas é caro. O gerador custa em torno de 80 mil, o aparelho...

A segunda cirurgia feita em Balneário é um indicativo de realizar o objetivo que o motivou a morar aqui?

Vim com objetivo de desenvolver essa área aqui, mas as coisas não acontecem na mesma velocidade que a gente gostaria. Então até organizarmos toda a equipe, equipamento, toda parte logística, isso demorou quatro anos. Sim é um indicativo, porque gerou um impacto muito positivo no nosso meio médico, no interesse da comunidade, por estatísticas a gente tem uma demanda nessa região. Voces exercem um papel fundamental, o de informação, as pessoas às vezes não sabem que tem e se conformam com o tipo de tratamento que fazem...então a informação é fundamental...a gente começou esse trabalho há alguns anos até chegar nesse momento, da cirurgia. As coisas funcionaram bem, repercutiu muito, já existe um interesse grande, várias pessoas vem consultar buscando informações
sobre isso...acredito que estamos conseguindo consolidar isso na nossa região.

Tem outras doenças que esse procedimento ajuda?

A Doença de Parkinson é a principal doença que a gente consegue tratar com esse procedimento, mas existem outras como tremor essencial, mês que vem faremos uma cirurgia em que o paciente tem somente tremor essencial...não é Parkinson porque ele não tem as outras alterações, só o tremor...Tem outras doenças como a epilepsia...a distonia, que é um tipo de movimento involuntário que é muito incapacitante...por sorte é uma doença muito incomum, mas ataca principalmente jovens...torna a pessoa incapaz.

O Parkinson é uma doença de velho?

É mais comum na quinta década de vida, mas existe Parkinson juvenil, tem pessoas com 20 anos com doença de Parkinson (...). Fonte: Página 3.

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