terça-feira, 14 de março de 2017

Brusquense implanta eletrodos no cérebro para amenizar sintomas do Parkinson

Arlete Bononomi foi diagnosticada com a doença há 14 anos; cirurgia foi realizada no início de janeiro

14/03/2017 - Aos 46 anos, a brusquense Arlete Bononomi começou a sentir seu corpo diferente. Muito ativa, ela levava uma vida normal, trabalhando como vendedora em uma loja de Brusque, até perceber tremores cada vez mais frequentes.

No início Arlete não se importou com a situação, mas à medida que a intensidade dos tremores aumentava, ligou o sinal de alerta. Procurou um médico, que a diagnosticou com um nódulo na tireóide. Fez cirurgia para a retirada do nódulo e após a recuperação voltou para sua rotina.

Entretanto, passado algum tempo, enquanto trabalhava, sentiu um tremor forte pelo corpo e percebeu que o lado direito estava paralisando. Voltou ao médico e foi encaminhada a outro profissional. Fez ressonância magnética e no exame o diagnóstico: síndrome de Parkinson.
“Fiquei muito surpresa com o diagnóstico. A partir daquele dia, minha vida mudou completamente”, conta.

A partir do diagnóstico, Arlete começou o tratamento. Passou por vários médicos e, com o passar do tempo, a intensidade dos tremores só aumentava.

“Eu tomava 15 comprimidos por dia, não saia de casa sem minha sacola de remédios, era horrível. Tem gente que nem faz ideia como o tremor detona a pessoa. Quebrei toda a minha louça, emagreci demais e esbarrava em tudo. Não tinha mais o controle do meu corpo”, diz.

Após muitos anos vivendo com a agressividade dos sintomas, ela passou a se tratar em Florianópolis, no Hospital Baía Sul. Lá, depois de os médicos analisarem seu caso, descobriu que era uma forte candidata à cirurgia que ameniza os sintomas da doença.

“Os médicos falaram que eu era jovem e que não tinha nenhum problema além do Parkinson, então poderia fazer a cirurgia”, conta.

Cirurgia visa alívio dos sintomas
Após muitos exames e preparação, a brusquense realizou a cirurgia de implante de eletrodos para estimulação cerebral (Deep Brain Stimulation – DBS- na sigla em inglês), no dia 12 de janeiro deste ano, aos 60 anos de idade e 14 anos após o diagnóstico. “Foi uma caminhada longa até a cirurgia. Fiz o procedimento pelo SC Saúde, já que meu marido era policial civil. Foi um bom tempo até receber a autorização”.

Passados dois meses do procedimento, Arlete já sente a melhora em seu corpo e, consequentemente, em sua rotina. “Agora estou bem, tenho apenas uma dificuldade de fala, mas ainda estou em recuperação. O tremor detona uma pessoa. Alguém que faz musculação faz duas horas de exercício para emagrecer, perder massa muscular, eu, em meia hora, perdia o equivalente, de tanto tremor”.

A cirurgia durou sete horas e meia para a implantação de eletrodos em uma região específica do cérebro, que é a responsável pelos sintomas da doença. Os eletrodos foram conectados a um pequeno gerador que, por sua vez, foi implantado logo abaixo da clavícula, semelhante aos marca-passos cardíaco.

“Já sofri muito com a doença, mas agora consigo fazer as minhas coisas. É outra vida”, comemora.

Ao longo dos anos convivendo com a doença, Arlete teve o apoio da família e de muitos amigos, que a acompanharam em todas as fases, até a chegada da cirurgia. “Nunca imaginei que tinha amigos tão bons, pessoas tão maravilhosas na minha vida. Sou muito grata por tudo”.

Procedimento é um dos mais modernos para tratar a doença
Um dos médicos responsáveis pela cirurgia de Arlete, o neurologista Fernando Cini Freitas explica que nesta cirurgia são implantados os eletrodos e, de duas a quatro semanas depois, o dispositivo é ligado ao microcomputador para fazer a programação neural do paciente. O aparelho pode ser ajustado para gerenciar da forma mais eficaz os sintomas motores específicos de cada paciente.

“O procedimento visa melhorar alguns aspectos motores da doença e, uma vez controlado, ou o mais perto possível do controle, deixa o paciente mais independente”.

O médico diz que somente o fato do paciente ter Parkinson não o condiciona a realizar o procedimento. “É preciso ver se o subtipo da doença pode ser resolvida com o procedimento. Alguns sintomas podem ser resolvidos com a cirurgia, outros não”.

O neurologista também lembra que a cirurgia não representa a cura, já que Parkinson é uma doença crônica, apenas controla os sintomas motores da doença. De acordo com ele, a cirurgia ainda é pouco realizada no Brasil devido a sua complexidade, porém, Santa Catarina se tornou referência nesta área.

“A medicina está evoluindo, com vários procedimentos tecnológicos. A doença não se chama mais mal de Parkinson porque não se encara mais como uma maldição. Embora não tenha cura, tem tratamento. Há 50 anos, a expectativa de vida de uma pessoa com Parkinson era de sete anos, hoje, a doença não interfere mais na expectativa de vida e a cirurgia vem para contribuir nessa qualidade de vida do paciente”. Fonte: O Município.

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