quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

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Derivado da maconha pode ajudar no tratamento de epilepsia, segundo cientistas
08/12/2016 - Maconha
Dois ensaios clínicos realizados recentemente mostraram que uma versão purificada de um composto de maconha pode ajudar em formas de epilepsia resistentes a tratamentos. O canabidiol (CBD) ajudou a reduzir a frequência das convulsões em crianças e adultos em duas formas difíceis de tratar da doença: a síndrome de Dravet e síndrome de Lennox-Gastaut, de acordo com informações da agência de notícias UPI.

Os médicos salientaram que a droga ainda está em fase experimental e que não ajudou todos os voluntários, tampouco pode ser considerada uma cura. Por outro lado, eles consideraram que os resultados são “muito encorajadores”, uma vez que é difícil gerenciar os distúrbios convulsivos.

De acordo com a neurologista pediátrica, Dr.ª Amy Brooks-Kayal, do Children’s Hospital Colorado, que não esteve envolvida no estudo, “é sempre um bom dia quando temos uma nova opção potencial para oferecer a esses pacientes”. Ela ressaltou que o CBD utilizado nos ensaios é purificado, de grau farmacêutico e disposto em pílula, “muito diferente da maconha medicinal”.

Uma das pesquisadoras que trabalhou em ambos os estudos, Dr.ª Elizabeth Thiele, que dirige o programa de epilepsia pediátrica no Massachusetts General Hospital, em Boston, salientou o mesmo ponto, de que a droga era uma forma “muito distinta” da maconha, contendo centenas de compostos diferentes.

Pesquisadores têm se interessando em testar o canabidiol para o tratamento da epilepsia com base em estudos que mostraram propriedades anticonvulsivas do composto. No entanto, como ele realmente funciona ainda não está claro. A epilepsia, por outro lado, é uma desordem neurológica em que as interrupções na atividade elétrica do cérebro acionam convulsões. Existem muitas formas diferentes da condição, com a síndrome de Dravet e síndrome de Lennox-Gastaut (LGS) sendo as mais comuns.

A LGS, quando em crianças, pode causar deficiência intelectual, juntamente com o evento das convulsões. Já Dravet é uma condição genética rara que causa convulsões ainda mais graves e, na maioria das vezes, problemas de desenvolvimento. Ambos os distúrbios são difíceis de controlar, mesmo com medicamentos, dietas especiais ou outras abordagens.

Para um dos ensaios, Thiele e seus colegas designaram aleatoriamente 120 crianças com Dravet para tomarem a pílula de CBD ou placebo. Após 14 semanas, as crianças que usaram CBD apresentaram em média uma redução de 39% na frequência de convulsões, contra 13% do grupo de placebo.

O outro ensaio envolveu 171 crianças e adultos com LGS, também aleatoriamente designados ao grupo de CBD ou do placebo. Os resultados foram semelhantes. Após 14 semanas, o grupo medicado com CBD apresentou uma redução de 44% nas convulsões em relação aos 22% do grupo placebo. Ambos os estudos foram apresentados na reunião anual da American Epilepsy Society, realizada em Houston, EUA.

Em outro estudo, realizado por pesquisadores da Universidade do Alabama, EUA, com 81 adultos e crianças com formas de epilepsia resistente a tratamentos, pesquisadores analisaram se o CBD poderia reduzir a gravidade das convulsões. Descobriu-se que a droga, de fato, o fez. Além de da gravidade, a frequência dos eventos também foi reduzida. No entanto, enquanto nem todos os pacientes se beneficiaram do tratamento, outros pioraram.

Em um outro estudo feito pelos mesmos pesquisadores, foi abordada a questão das interações medicamentosas, uma vez que os pacientes com epilepsia tipicamente usam vários medicamentos. Eles descobriram que o CBD interage com várias drogas como o valproato (Depakote), clobazam (Onfi), rufinamida (Banzel), topiramato (Topamax), zonisamida (Zonegran) e eslicarbazepina (Aptiom). Ainda, em alguns pacientes, a interação causou problemas de sedação e redução da função hepática.

No entanto, isso não significa que pacientes que fazem o uso dessas drogas não podem tomar o CBD, uma vez que, conforme apontado pelos pesquisadores, as interações medicamentosas podem ser gerenciadas.

Há de se considerar ainda a questão dos efeitos colaterais, que incluem diarreia, redução de apetite, sonolência e crises de vômito. Nos dois ensaios de Thiele, a grande maioria dos pacientes em CBD (86% e 93%) sofreu efeitos colaterais classificados como “leve ou moderado”. Porém, como muitos dos pacientes em placebo também apresentaram efeitos colaterais, é difícil saber quais dos problemas de fato foram causados pela droga. Embora a droga possa ser considerada segura, os pesquisadores ainda precisam aprender mais sobre ela, especialmente quando interage com outros medicamentos para epilepsia.

Enquanto as síndromes de Dravet e LGS são raras, a resistência de tratamento não é. De acordo com Epilepsy Foundation, estima-se que um terço dos pacientes possui formas “refratárias” da doeça, quando as convulsões não podem ser totalmente controladas com medicamentos padrões. Logo, é possível que o CBD seja útil para pelo menos alguns desses pacientes.

As pesquisas apresentadas na reunião em Houston ainda estão pendentes de revisão por pares para serem publicadas. Enquanto isso, a GW Pharmaceuticals disse que espera enviar o produto para a FDA (Food and Drug Administration) para aprovação em 2017. Fonte: Jornal Ciência.

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