sexta-feira, 27 de maio de 2016

Escore de Risco em Parkinson

Autor: Lucas Santos Zambon
Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.
Última revisão: 27/05/2016

Contexto Clínico
O Parkinson é uma doença degenerativa bastante frequente e que leva a uma série de comprometimentos de atividades instrumentais e básicas de vida diária. Nesse contexto, entender o prognóstico de cada paciente é muito importante. Desenvolver um modelo de prognóstico para prever a evolução da doença de Parkinson (DP) e realizar um estudo de validação externa em uma coorte independente é o enfoque do estudo a ser mostrado a seguir.

O Estudo
O desenvolvimento do modelo foi feito no estudo holandês de coorte intitulado: Comorbidity and Aging in Rehabilitation Patients: The Influence on Activities (CARPA). A validação externa foi realizada através de uma coorte do Reino Unido intitulada Cambridgeshire Parkinson's Incidence from GP to Neurologist (CamPaIGN). Ambos são estudos de coorte longitudinais que acompanharam prospectivamente pacientes com DP a partir do momento do diagnóstico. Foi realizada uma medida de desfecho composto na qual os pacientes foram classificados como tendo um prognóstico desfavorável quando tinham instabilidade postural ou demência na avaliação de cinco anos (ou na última avaliação antes da perda de follow-up), ou que tinham morrido antes desse tempo.
No modelo resultante, maior idade do paciente, maior escore no Unified Parkinson's Disease Rating Scale motor examination axial score, e uma pontuação mais baixa de fluência verbal foram todas associadas a uma maior probabilidade de um resultado desfavorável. A validação externa confirmou um grande poder discriminatório entre os resultados favoráveis e desfavoráveis com uma área sob a curva ROC de 0,85 (IC95% 0,77-0,93).

Aplicações Práticas
Esse estudo confirma o que foi suspeitado por muito tempo por especialistas em Parkinson. Os pacientes que são mais velhos no momento do diagnóstico e aqueles que têm problemas de equilíbrio ou problemas cognitivos nos primeiros anos após o diagnóstico têm piores resultados, pois ambos os conjuntos de dados foram coortes incidentes longitudinais e ambos acompanharam os pacientes a partir do momento do diagnóstico PD, juntos eles fornecem as informações necessárias para construir e validar um modelo. Os médicos devem, no entanto, ser muito cuidadosos para não generalizar essas descobertas, particularmente num doente que não é otimizado em terapia dopaminérgica, terapia antidepressiva, ou em ambas.

Referências
Velseboer DC et al. Development and external validation of a prognostic model in newly diagnosed Parkinson disease. Neurology 2016 Mar 15; 86:986. Fonte: Medicinanet.

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